A proporção de brasileiros com 10 anos ou mais que usam a internet subiu para 90,5% em 2025, segundo a PNAD Contínua divulgada nesta quinta-feira (2) pelo IBGE. São 168,7 milhões de pessoas conectadas no país.
O celular segue como porta de entrada dominante: 98,7% dos internautas acessam a rede pelo smartphone. A brecha entre zonas urbanas e rurais encolheu de 37,5 para 8,5 pontos percentuais desde 2016 — uma das maiores transformações estruturais registradas pelo levantamento.
Quem cresce e quem recua
A população com 60 anos ou mais foi o grupo com maior avanço no período: o uso da internet nessa faixa saltou de 70,1% para 74,5% entre 2024 e 2025. Em relação a 2019, o crescimento chega a 29,6 pontos percentuais — uma transformação que também se reflete no uso do celular, que passou de 78,3% para 80,3% no ciclo mais recente.
No sentido contrário, a faixa de 10 a 13 anos foi a única a registrar queda, de 84,9% para 84,4%. O uso de celular entre essas crianças também recuou, de 56,7% para 55,2%, com a preocupação com privacidade e segurança como principal motivo apontado pelo levantamento. Esse recuo coincide com a implementação da lei que proibiu celulares nas escolas, adotada por 92% das unidades escolares brasileiras no mesmo período.
Estudantes: rede privada na frente
Entre estudantes, 92,4% usaram a internet em 2025. O recorte por tipo de rede revela uma distância expressiva: 97,2% dos alunos da rede privada estavam conectados, ante 89,9% da pública. A diferença é mais acentuada no ensino fundamental e se estreita nos níveis médio e superior.
Dos 17,7 milhões de brasileiros que ainda ficam fora da rede, 44,9% dizem não saber usá-la e 27,8% declaram não ter necessidade. Essa barreira de letramento digital se sobrepõe ao dado de que o país ainda registra 8,4 milhões de analfabetos, concentrados sobretudo entre idosos e nas regiões Norte e Nordeste.
Como e para quê os brasileiros se conectam
O principal uso da internet no país é fazer chamadas de voz ou vídeo, citado por 95,3% dos internautas. Trocar mensagens (90,2%), assistir a vídeos (89,3%), usar redes sociais (84,9%) e ouvir músicas, rádio ou podcasts (83,7%) completam os cinco usos mais frequentes.
Além do celular, televisão (57,8%), computador (33,4%) e tablet (9,2%) também são utilizados para acessar a rede — mas nenhum chega perto do domínio do smartphone. Uma pesquisa da NordVPN divulgada em abril indicou que o brasileiro típico acumula 52 anos e 9 meses conectado ao longo da vida — o maior tempo online entre os 20 países analisados, com 91% acessando pelo celular, número que dialoga diretamente com os 98,7% de usuários via smartphone apontados pelo IBGE.
Entre os que não possuem celular — 10,2% da população com 10 anos ou mais —, os principais entraves são não saber usar (31,1%), não ver necessidade (21,1%) e o custo elevado (14,9%). A posse do aparelho chegou a 89,8% da população em 2025.
