O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, negou nesta quinta-feira (2) irregularidades em dois focos da Polícia Federal: a venda de um imóvel pago em dinheiro vivo e o uso da cota parlamentar para alugar veículos.
A defesa veio um dia após a PF deflagrar operação contra aliados do parlamentar, suspeitos de forjar escritura pública para justificar os R$ 470 mil em espécie encontrados em seu flat em Brasília, em dezembro de 2025.
Em vídeo enviado à GloboNews, Sóstenes afirmou sofrer “perseguição” do STF desde que assumiu a liderança do PL, há cerca de um ano e meio, e garantiu que todas as transações estão declaradas no Imposto de Renda.
O que a PF apurou sobre a escritura do imóvel
O centro da investigação é a discrepância temporal entre a apreensão dos R$ 470 mil e o registro da escritura. Segundo relatório incluído na decisão do STF, o documento foi lavrado cerca de um mês depois do dinheiro ser encontrado — reforçando a suspeita de que teria sido produzido retroativamente para justificar a quantia apreendida.
A escritura que Sóstenes apresenta como prova não tem rastro bancário compatível: não foram identificados saques contemporâneos à data da suposta compra, conforme apurou o Tropiquim. Um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) da PF confirmou a ausência de movimentações compatíveis com o pagamento integral em espécie declarado no documento.
Ao autorizar a operação, o ministro Flávio Dino, do STF, apontou que a investigação indica que parte de R$ 15 milhões movimentados por empresas ligadas ao parlamentar pode ter origem em recursos públicos.
A versão do parlamentar
Sóstenes afirma que a venda ocorreu dentro dos procedimentos corretos e está registrada em sua declaração de IR referente ao ano passado. Segundo ele, o comprador — descrito como pecuarista e advogado — tem condições financeiras para adquirir o imóvel em espécie, e a transação foi declarada também na declaração deste ano.
O deputado nega qualquer relação com os alvos da operação desta quarta-feira, que incluiu advogados e empresários. Ele afirma não conhecer os investigados e diz que a menção a “advogados” gerou confusão porque o comprador do imóvel também é advogado — não o seu.
A defesa sobre os veículos e as cotas parlamentares
Em dezembro de 2025, Sóstenes e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) foram alvos de busca e apreensão em investigação sobre desvio de cotas parlamentares via contratos fictícios de aluguel de automóveis. A PF suspeita que locadoras de fachada serviam para dar aparência de legalidade ao desvio de verba pública.
Para rebater as acusações, o parlamentar exibiu o contrato de aluguel de um Corolla por R$ 4.500 mensais — valor que afirma ser o menor pago por um deputado na Câmara —, além de boletins de ocorrência de um assalto e de um acidente com o mesmo veículo, como prova de que o carro existia e era efetivamente utilizado.
Sóstenes disse ter se envolvido em acidente em Cristalina (GO) enquanto dirigia pessoalmente o veículo e apresentou o boletim como prova de uso contínuo. “Se eu usava o carro, não há como lavar dinheiro de um contrato tão baixo”, argumentou o parlamentar.
