O IPCA subiu 0,24% em junho, segundo o IBGE, divulgado nesta quinta-feira (10). O índice acumulado em 12 meses chegou a 5,35%, ultrapassando o teto da meta de inflação do Banco Central, que é de 4,5%.
Com o descumprimento da meta pelo sexto mês consecutivo, o presidente do Banco Central deverá enviar carta ao ministro da Fazenda explicando as razões para o desvio.
Desempenho do IPCA em junho e no semestre
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,24% em junho, desacelerando em relação a maio, quando o índice subiu 0,45%. O resultado foi divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira (10).
O acumulado em 12 meses atingiu 5,35%, acima do teto de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o regime de metas contínuas, em vigor desde janeiro. Segundo a nova regra, o descumprimento ocorre quando o índice ultrapassa o limite por seis meses consecutivos, o que se confirmou de janeiro a junho.
Composição dos grupos de produtos e serviços
Em junho, alimentos e bebidas tiveram alta de 0,5%, impulsionados pelo aumento nos preços das carnes e legumes. O grupo de transportes apresentou queda de 0,3%, devido à redução dos combustíveis.
Impacto da energia elétrica
Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, destacou que a energia elétrica residencial subiu 6,93% no primeiro semestre, maior variação desde 2018. Segundo ele, “no início do ano, com o bônus de Itaipu, houve queda em janeiro, reversão em fevereiro e, depois, bandeira verde. No mês passado, entrou em vigor a bandeira amarela e, agora, a vermelha”.
Resultados dos grupos em maio
Oito dos nove grupos pesquisados pelo IBGE apresentaram alta em maio: habitação (0,99%), artigos de residência (0,08%), vestuário (0,75%), transportes (0,27%), saúde e cuidados pessoais (0,07%), despesas pessoais (0,23%), educação (0,00%) e comunicação (0,11%). Apenas alimentação e bebidas registrou queda, de -0,18%.
Consequências institucionais
Com o IPCA acima do teto por seis meses, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, deverá publicar carta aberta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, detalhando as causas do desvio e as medidas a serem adotadas.
Meta de inflação e tolerância
A meta central de inflação é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, a inflação pode variar entre 1,5% e 4,5% sem descumprir a meta. O resultado de junho confirma o descumprimento formal do regime de metas.