Economia

IPCA-15 de maio vem acima do esperado e mantém inflação fora da meta

Alimentos e energia elétrica lideram as pressões; combustíveis recuam e evitam alta ainda maior
IPCA-15 maio 2026: pressões de alimentos, energia e commodities globais na inflação brasileira

A prévia da inflação oficial voltou a surpreender o mercado em maio. O IPCA-15 registrou alta de 0,62% no período, segundo o IBGE, acima da projeção de 0,57% esperada pelos economistas.

Com o resultado, a inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 4,64% — superando o teto de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional para 2026.

Alimentação e bebidas e habitação concentraram as maiores pressões do período, enquanto a queda nos combustíveis evitou uma alta ainda mais intensa no índice.

Alimentos encarecem e geram surpresa no mercado

Entre os nove grupos pesquisados, alimentação e bebidas registrou a maior alta: 1,38% em maio, com pressão concentrada nos alimentos consumidos em casa, que subiram 1,73%. Carnes, panificados, leite e derivados e hortifrúti sustentaram a alta disseminada ao longo do mês.

Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, classificou o resultado como uma surpresa para cima. “As surpresas em alimentação têm sido recorrentes, e a pressão tem se espalhado por vários itens”, afirmou. Segundo ele, 2026 rompeu com um ciclo mais favorável vivido ao longo de 2025 e passou a registrar aumentos em múltiplas categorias simultaneamente.

O economista aponta ainda o aumento das exportações de carne para a China como vetor adicional de pressão nos preços domésticos no curto prazo, combinado a condições climáticas adversas que afetam especialmente o hortifrúti.

Conta de luz sobe com volta da bandeira amarela

O grupo habitação avançou 1,03% em maio, impulsionado pela energia elétrica residencial, que subiu 2,16% — o maior impacto individual no IPCA-15 do período. A pressão veio da volta da bandeira tarifária amarela, que adiciona cobrança extra na conta de luz, combinada a reajustes tarifários aplicados em algumas capitais.

Saúde e cuidados pessoais também pressionou o índice, com alta de 1,05%, puxada por produtos de higiene pessoal, medicamentos e planos de saúde. O avanço nos remédios acompanha o reajuste autorizado de até 3,81% nos preços dos medicamentos, em vigor desde 1º de abril.

Do lado positivo, os combustíveis registraram queda de 1,47% em maio, revertendo a alta de 6,06% anotada no mês anterior. O etanol recuou 2,73%, o óleo diesel caiu 2,04% e a gasolina cedeu 1,32%, contribuindo para aliviar a pressão sobre o índice. Sem esse alívio, o IPCA-15 de maio teria sido ainda mais elevado.

O recuo nos combustíveis está diretamente ligado às medidas adotadas pelo governo federal para conter o impacto da disparada do petróleo no mercado internacional, alimentada pelas tensões no Oriente Médio. Entre as ações estão subsídios temporários para diesel e gasolina e benefícios tributários para reduzir o repasse da alta internacional aos preços domésticos.

Nas passagens aéreas, o movimento foi na direção contrária: alta de 3,25% em maio, após queda expressiva de 14,32% em abril.

O resultado do IPCA-15 se encaixa em uma tendência que o mercado já vinha antecipando: o Boletim Focus registrou a 14ª revisão consecutiva para cima da inflação em 2026, chegando a 5,30%. Com a inflação acumulada em 12 meses em 4,64%, o indicador permanece acima do teto da meta do CMN — acompanhado em regime contínuo desde o ano passado.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Lula nomeia Teresa Leitão para liderar governo no Senado após saída de Wagner

PF aponta Sicupira, filho de Lemann e Garcia no centro da fraude das Americanas

Arrecadação federal bate recorde em maio e soma R$ 266,8 bilhões

Americanas se isenta, mas PF investiga acionistas e bancos por fraude bilionária