A eleição presidencial mais acirrada da história recente do Peru tem resultado em aberto. Com 98,25% dos votos apurados até a noite desta quinta-feira (11), Keiko Fujimori liderava Roberto Sánchez por apenas 1.026 votos válidos — margem que pode ser revertida a qualquer momento.
A diferença é tão estreita que a diáspora peruana se torna protagonista: os votos registrados fora do território peruano, incluindo os de 11 cidades brasileiras, podem redefinir quem assume a presidência do país.
A apuração divide o Peru em dois cenários opostos. Dentro do país, Roberto Sánchez lidera com 50,218% dos votos válidos. Fora dele, Keiko Fujimori inverte o quadro com folga: ela concentra 63,43% dos votos da diáspora, o equivalente a 184.435 votos contra 106.338 de Sánchez, com 94,5% das urnas do exterior já apuradas.
No Brasil, com 4.972 votos computados em 11 cidades, a disputa era mais equilibrada do que no restante do exterior peruano. Das cidades com apuração concluída constavam Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Rio Branco, Rio de Janeiro e Salvador. São Paulo, o maior colégio eleitoral peruano no Brasil, ainda registrava 95,24% das urnas apuradas no momento desta reportagem.
Recontagem de atas adiciona nova camada de incerteza
Além da disputa voto a voto, uma recontagem corre em paralelo. O Jurado Nacional de Eleições — equivalente peruano do TSE brasileiro — informou que cerca de 1.000 atas eleitorais precisarão ser revisadas. Cada ata reúne o resultado apurado em uma mesa de votação.
O número pode parecer residual diante das 92.700 atas totais do sistema eleitoral peruano, mas a proximidade extrema entre os candidatos faz com que qualquer revisão tenha peso desproporcional no resultado final.
O presidente do Jurado Nacional de Eleições, Roberto Rolando Burneo Bermejo, alertou que o processo de recontagem é demorado. Dada a proximidade dos números, ele estimou que o resultado oficial deve ser divulgado apenas em meados de julho — mais de um mês após o dia da votação.
O cenário peruano expõe com clareza o peso crescente do voto da diáspora em eleições acirradas. O fenômeno não é exclusividade andina: nas eleições brasileiras de outubro, mais de 1 milhão de brasileiros cadastrados no exterior também poderão ser decisivos em disputas apertadas — algo que o pleito no Peru ilustra com precisão.
Com 1.000 atas ainda pendentes de revisão e uma diferença de apenas 1.026 votos, o Jurado Nacional de Eleições deverá concluir cada etapa com rigor antes de proclamar um vencedor. Segundo Burneo Bermejo, o processo deve se estender por semanas.
