Pela primeira vez, a Justiça Eleitoral registrou mais de 1 milhão de brasileiros cadastrados para votar no exterior. Desse total, pelo menos 879 mil estão em situação regular e poderão participar das eleições presidenciais de outubro de 2026.
O marco representa um crescimento de 308% em relação a 2010. Em números absolutos, o grupo já supera individualmente o eleitorado do Acre, do Amapá e de Roraima — e o número definitivo só virá após 9 de junho, prazo do TSE para processar os requerimentos ainda pendentes.
Demanda recorde e prazo para consolidar os dados
Desde o início de 2026, a Justiça Eleitoral recebeu 184 mil solicitações de alistamento ou regularização no exterior. Ricardo Noronha, chefe do Cartório da Zona Eleitoral do Exterior, informou que 68 mil requerimentos ainda aguardam análise — e que 21 mil deles foram enviados no último dia permitido, 6 de maio.
O prazo final para o TSE processar todos os pedidos é 9 de junho. A análise cabe ao Cartório Eleitoral do TRE-DF, responsável pelas eleições fora do país. O total de eleitores cadastrados no TSE, somando Brasil e exterior, chega a 158 milhões — mas os números consolidados do eleitorado apto para outubro ainda não foram divulgados.
Diáspora em expansão: 5,1 milhões de brasileiros vivem fora
O crescimento do eleitorado externo acompanha a expansão da diáspora brasileira. O Itamaraty registrou 3,1 milhões de brasileiros morando fora em 2010, 4,2 milhões em 2020 e 5,1 milhões em 2024 — um avanço de 64% em 14 anos. Os principais destinos são Estados Unidos, Portugal, Paraguai, Reino Unido e Japão.
A lacuna entre os 5,1 milhões no exterior e o 1 milhão de eleitores cadastrados existe porque a maioria prefere manter o título no Brasil — o que permite justificar ausências nas urnas ou pagar multas por não votar. Em abril, o TSE aprovou por unanimidade a destinação de R$ 13,2 milhões ao Itamaraty para alugar espaços em países onde embaixadas e consulados não comportam o volume de votantes. Entenda como o TSE está estruturando a votação no exterior em 2026.
Participação segue baixa apesar do crescimento no cadastro
A média de comparecimento nos postos eleitorais do exterior é de apenas 50%. Um dos fatores é que parte dos brasileiros busca o título somente para renovar o passaporte e manter a regularidade fora do país, sem intenção de votar.
A logística também pesa. Nos Estados Unidos, o Brasil mantém apenas 14 postos consulares para cobrir 50 estados — eleitores precisam se deslocar até o ponto mais próximo. Ao todo, são cerca de 2.400 seções eleitorais em 140 países, criadas onde há pelo menos 30 eleitores aptos, presença do Itamaraty e condições geopolíticas favoráveis. O MRE ainda avalia se haverá postos eleitorais na Ucrânia e em Teerã, no Irã.
O que a eleição de 2022 revelou
Em 2022, Lisboa foi o maior colégio eleitoral fora do Brasil, com 45.273 eleitores aptos. Lula venceu em Portugal e na Alemanha; Bolsonaro, nos Estados Unidos e no Japão. Em outubro de 2026, os brasileiros no exterior votarão novamente apenas para presidente — governadores, senadores e deputados não constam na cédula eleitoral.
