O governo brasileiro já antecipava a sobretaxa americana sobre produtos vinculados ao trabalho forçado. Nos bastidores, integrantes do Executivo avaliavam que a nova taxa seria somada aos 25% anunciados em 1° de junho — elevando a carga total a 37,5%, patamar próximo aos 40% aplicados no ano passado.
A estratégia de resposta segue o mesmo eixo já adotado para os 25%: diálogo direto com Washington até o prazo final da investigação.
Em abril, o Brasil formalizou uma defesa que a diplomacia classificou como técnica, com foco em dados concretos sobre o combate ao trabalho escravo no país. Entre os argumentos apresentados estavam a criação da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, em 2003, e a chamada “Lista Suja” — mecanismo que impede empregadores flagrados explorando mão de obra escrava de acessar financiamentos em bancos públicos.
Na véspera da nova sobretaxa, o governo já havia contestado a tarifa de 25% com estatísticas do próprio governo americano — a mesma estratégia técnica que deve guiar agora a defesa contra a taxação ligada ao trabalho forçado.
A aposta brasileira é que o mesmo caminho funcione desta vez: apresentar evidências sólidas e pressionar por um entendimento antes que a investigação americana seja encerrada. A janela de negociação se estende até 15 de julho, prazo identificado pela Amcham Brasil para que os dois países cheguem a um acordo — o mesmo calendário em que Brasília aposta para resolver a sobretaxa sobre trabalho forçado.
Chanceler pode encontrar representante comercial dos EUA em Paris
Nesta quarta-feira (3), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa de evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em Paris. O representante comercial dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer, também estará presente no encontro.
Fontes que acompanham o ministro afirmam que não há reunião bilateral formalmente agendada entre os dois. Ainda assim, Vieira deve tentar buscar uma conversa com Greer à margem do evento — o que representaria uma oportunidade concreta para abrir canal diplomático sobre as sobretaxas em vigor e o andamento das investigações americanas.
