O senador Flávio Bolsonaro (PL) esteve na Casa Branca nesta terça-feira (26) para um breve encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — rápido o suficiente para uma foto no Salão Oval, mas curto demais para qualquer pauta substantiva.
A comitiva, que incluía Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, entregou documentos a assessores americanos. Segundo relatos de membros do grupo, Trump não chegou a se levantar para receber os brasileiros.
Pauta que ficou no papel
Segundo o blog do Valdo Cruz, Flávio pretendia discutir dois temas com Trump: a classificação de facções criminosas como organizações terroristas e a liberdade de expressão nas redes sociais no Brasil. Não foi confirmado se qualquer um dos assuntos chegou a ser mencionado no encontro relâmpago.
O tema já havia entrado na pauta da Casa Branca semanas antes — mas pelo lado oposto. Nas conversas entre o governo Lula e a equipe de Trump, o Brasil tentou justamente afastar a classificação do CV e do PCC como organizações terroristas.
Lula saiu da Casa Branca após quase três horas de reunião com Trump, com agenda extensa e avanços diplomáticos concretos — o contraste com o encontro protocolar de Flávio é imediato.
Eduardo Bolsonaro e a articulação da viagem
A visita foi organizada por Eduardo Bolsonaro junto à ala ideológica do governo Trump. Eduardo está nos Estados Unidos há mais de um ano, atuando politicamente no exterior com foco em aliados americanos. No Brasil, é investigado por suspeitas de financiamento irregular e articulações internacionais contra autoridades brasileiras.
Queda nas pesquisas como pano de fundo
A viagem a Washington foi uma tentativa de mudar o noticiário negativo que vinha atingindo a campanha de Flávio nas últimas semanas, segundo o blog do Valdo Cruz. A divulgação da proximidade do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pesou diretamente nas intenções de voto.
Na simulação de primeiro turno da mais recente pesquisa Datafolha, Flávio recuou de 35% para 31% — queda de quatro pontos percentuais. Lula, candidato à reeleição pelo PT, foi de 38% para 40%, ampliando a diferença entre os dois de três para nove pontos percentuais.
No segundo turno, o cenário também piorou para o senador. Os dois apareciam empatados com 45% na pesquisa anterior. Na mais recente, Lula avançou para 47% e Flávio recuou para 43%, abrindo uma vantagem de quatro pontos ao petista.
