Economia

Adimplentes do Fies cobram no Congresso desconto igual ao de inadimplentes

Enquanto inadimplentes têm abatimento de até 99%, quem pagou em dia recebe apenas 12% de desconto no Desenrola
Congresso Nacional ao fundo e logo do Desenrola Brasil, representando a luta por desconto para adimplentes do Fies

Estudantes que mantiveram os pagamentos do Fies em dia pressionam o Congresso por condições de renegociação iguais às oferecidas a quem atrasou as parcelas.

O movimento cresceu depois que o Novo Desenrola Brasil voltou, em 2026, a incluir formalmente os inadimplentes do fundo estudantil, com descontos de até 99%.

Já quem pagou em dia recebe, pela MP nº 1.373/2026, apenas 12% de desconto para quitar a dívida à vista — o que reacende a disputa por igualdade de tratamento.

Origem do impasse e propostas no Congresso

O advogado Nathã Balbinot, formado em Direito pelo Fies e adimplente, afirma que o movimento de “bons pagadores” surgiu após as renegociações do primeiro Desenrola, em 2023, que já concediam descontos de até 99% a inadimplentes. Três anos depois, o grupo reúne mais de 2 mil integrantes no WhatsApp e quase 9 mil seguidores no Instagram.

O programador Lucas Garcia, de 28 anos, formado em Engenharia da Computação em 2019, paga uma parcela mensal de R$ 767 e ainda tem cerca de oito anos de financiamento pela frente. Ele evitou atrasar por ter uma fiadora, mas hoje vê o contrato limitar seus planos: “A parcela compromete uma parte importante da minha renda e atrasa objetivos como comprar um imóvel”. Sobre a nova linha de crédito, é direto: “O governo ofereceu uma nova dívida para quem já está pagando uma”.

Já a médica Flávia Raiane Ottobelli, de 31 anos, de Medianeira (PR), paga cerca de R$ 2,8 mil por mês pelo financiamento — R$ 1,6 mil só em juros. Formada em 2019, seu contrato só termina em 2044, com saldo devedor que supera R$ 650 mil. “O que considero injusto é que quem fez sacrifícios para pagar em dia não receba tratamento semelhante”, diz.

Na Câmara, a principal proposta é o PL 1.306/2024, da deputada Dayany Bittencourt (União-CE), aprovado por unanimidade na Comissão de Educação e com parecer favorável na Comissão de Finanças e Tributação, mas ainda sem data na pauta. Outros quatro projetos tramitam junto, e no Senado o senador Jayme Campos apresentou emenda à MP nº 1.355/2026 com o mesmo objetivo.

Governo defende diferença e aposta no Fies Empreendedor

Em nota ao Tropiquim, o Ministério da Fazenda afirmou que dívidas com longo atraso já são tratadas pelas instituições financeiras como perdas esperadas, enquanto os pagamentos de quem está em dia integram a receita projetada da União. “Descontos maiores configurariam renúncia de receita, com impacto direto no resultado primário”, disse a pasta.

Como contrapartida, o governo aposta no Fies Empreendedor, linha de crédito com juros abaixo de 1% ao mês e até R$ 80 mil para pessoas físicas e R$ 180 mil para empresas de egressos adimplentes. Segundo o MEC, o orçamento é de R$ 1 bilhão e pode beneficiar entre 50 mil e 125 mil pessoas, via Banco do Brasil e Caixa. A adesão, porém, tem sido baixa: em enquete do próprio movimento, com 1.356 participantes, 98% disseram não pretender aderir.

Para a ABMES, as renegociações a inadimplentes são positivas, mas mudanças no Fies também devem valorizar quem pagou em dia. Já o advogado Stefano Ribeiro afirma que a diferença de condições “desestimula quem honra os compromissos” e recomenda cautela antes de contratar a nova linha.

Ao contrário do ProUni, que concede bolsas, o Fies funciona como um empréstimo — e é esse histórico de dívida que hoje divide adimplentes e inadimplentes na busca por condições iguais. O impasse ocorre enquanto o programa-mãe de renegociação já soma mais de R$ 22 bilhões renegociados e 3,6 milhões de acordos, reforçando a pressão por um espaço equivalente dentro do Desenrola.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

PT abre mão de candidatura a governador em 14 estados em 2026

Analistas dizem que Brasil tem pouca margem para negociar tarifaço de Trump

Adimplentes do Fies cobram no Congresso desconto igual ao de inadimplentes

Estudo brasileiro usa HTLV-1 para desvendar avanço da esclerose múltipla