O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta segunda-feira (18) ser “o primeiro a topar” a discussão sobre um imposto mínimo global para bilionários no âmbito do G7 — e apontou a reforma tributária aprovada pelo Brasil em 2025 como referência internacional.
A declaração ocorreu durante um colóquio promovido pela revista francesa Le Grand Continent, em Paris, à margem das reuniões preparatórias para a cúpula do G7, prevista para junho na França.
O tema não consta na pauta oficial brasileira para o encontro dos ministros das Finanças do G7, mas Durigan usou o espaço paralelo para avançar a agenda de justiça fiscal.
Zucman e a proposta de tributação global
O colóquio reuniu Durigan e o economista Gabriel Zucman, diretor do Observatório Fiscal Internacional e autor da proposta de imposto mínimo global de 2% sobre fortunas superiores a US$ 100 milhões. Zucman colabora com o Ministério da Fazenda desde a presidência brasileira do G20, em 2024.
O modelo aprovado pelo Brasil em 2025 é citado como exemplo nessa discussão: um imposto mínimo progressivo de até 10% sobre grandes fortunas, que deve atingir 142 mil pessoas no país.
Avanços tímidos ao redor do mundo
Na França, considerada referência nesse debate, um projeto de lei semelhante — prevendo tributação de 2% ao ano sobre patrimônios acima de € 100 milhões, o que afetaria cerca de 1,8 mil pessoas — foi rejeitado pelo Senado no ano passado.
Outros países europeus, como Espanha, Reino Unido, Holanda e Bélgica, analisam medidas similares. Nos Estados Unidos, o estado da Califórnia, governado pelo democrata Gavin Newsom, segue caminho parecido, a despeito da resistência federal do governo Trump ao consenso internacional.
A proposta foi levada ao G20 pela primeira vez durante a cúpula do Rio de Janeiro, em 2024 — ainda que sob forte oposição dos EUA, o principal obstáculo ao avanço global da agenda.
Minerais críticos e encontro com a AIE
A agenda tributária não foi o único foco da viagem. Durigan também promoveu o Brasil como destino de investimentos estrangeiros, argumentando que os ativos brasileiros estão baratos e o país oferece estabilidade em meio à instabilidade global — com os minerais críticos como carro-chefe da oferta ao capital externo.
A recente aprovação pela Câmara dos Deputados do marco regulatório de terras e minerais críticos é apontada pelo ministro como impulso a investimentos em setor estratégico para a economia digital, com potencial de alavancar a indústria nacional.
Em um cenário de multilateralismo fragilizado e tensões entre os EUA e aliados europeus, a presidência francesa do G7 prefere dar ênfase a temas mais consensuais — entre eles, o desbloqueio do Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% dos hidrocarbonetos exportados ao mundo.
Na terça-feira (19), antes de retornar a Brasília, Durigan se reunirá com Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), sediada em Paris — reforçando a dimensão energética da visita.
