O ministro da Fazenda, Dario Durigan, aproveitou uma agenda em Paris para fazer um chamamento direto a investidores estrangeiros nesta segunda-feira (18): os ativos brasileiros estão baratos e o país é um porto seguro em meio à instabilidade global.
Durigan está na capital francesa para encontros ligados ao G7 e a reuniões sobre inteligência artificial, transição energética e cooperação econômica internacional.
Juros altos e guerra como argumento de venda
O discurso do ministro se apoia em dois fatores que analistas de mercado também reconhecem: a Selic a 14,5% ao ano — segunda maior taxa de juros reais do mundo — e o papel do Brasil como exportador de commodities. Em momentos de tensão global, como a atual guerra no Oriente Médio, recursos tendem a migrar para países que oferecem retorno elevado e produzem petróleo e alimentos, categorias em que o Brasil se encaixa.
Duas semanas antes da viagem, Durigan já defendia que a Selic elevada era resultado sobretudo do conflito no Oriente Médio, e não do cenário fiscal doméstico — tese que reforça a narrativa de que os juros representam um atrativo conjuntural, e não sintoma de desajuste interno. Entenda o posicionamento fiscal do ministro e o lançamento do Desenrola 2.0.
Minerais críticos no centro da oferta ao capital externo
Entre as oportunidades destacadas por Durigan, os minerais críticos ocuparam posição central. Esses insumos são indispensáveis para baterias de celular e carros elétricos, chips de computador, painéis solares, turbinas eólicas e sistemas militares — setores que concentram parcela crescente do investimento global em tecnologia e energia limpa.
O chamado do ministro ganhou respaldo legislativo recente: a Câmara dos Deputados aprovou, neste mês, o projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos, oferecendo ao setor um marco regulatório mais estruturado para atrair capital externo de longo prazo.
A narrativa de porto seguro tem, porém, dupla face. O mesmo conflito no Oriente Médio que Durigan usa como argumento para seduzir investidores também pressiona os preços dos combustíveis no Brasil — levando o ministro a articular, dias antes da viagem a Paris, um mecanismo de compensação tributária para amortecer o impacto nos postos. Veja como Durigan abriu caminho para o reajuste da Petrobras e cobrou urgência no Congresso.
A agenda em Paris reflete uma estratégia mais ampla do governo Lula de reposicionar o Brasil no radar do capital internacional em um momento em que economias desenvolvidas enfrentam instabilidade crescente. Com ativos desvalorizados, juros reais elevados e reservas abundantes de minerais essenciais à transição energética, o governo aposta que o país pode captar investimentos estruturais — e não apenas fluxos especulativos de curto prazo atraídos pela Selic.
