O dólar abriu a semana em alta moderada nesta segunda-feira (11), cotado a R$ 4,8972, com pressão vinda de duas frentes: a deterioração do cenário geopolítico no Oriente Médio e o acúmulo de revisões altistas para a inflação brasileira.
No exterior, o petróleo Brent voltou a superar US$ 100 por barril após Donald Trump rejeitar a resposta do Irã a uma proposta americana de paz, reacendendo temores sobre o fornecimento global de energia.
No Brasil, o Boletim Focus do Banco Central mostrou que economistas elevaram pela nona semana consecutiva a projeção de inflação para 2026, de 4,89% para 4,91%.
Estreito de Ormuz volta ao centro das tensões
A rejeição de Trump à resposta iraniana reverteu rapidamente o sentimento de mercado. Apenas quatro dias antes, perspectivas de um acordo de “uma página” entre EUA e Irã haviam derrubado o Brent abaixo de US$ 100 e o dólar para R$ 4,90 — nesta segunda-feira, o cenário se inverteu. Veja como o acordo chegou a derrubar o petróleo 2% na quinta-feira passada.
O epicentro do conflito é o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais críticas para o transporte global de petróleo e combustíveis. As Forças Armadas dos EUA confirmaram ataques a petroleiros vazios que tentavam cruzar o bloqueio naval americano na entrada do estreito — os disparos foram direcionados às chaminés das embarcações para impedir o avanço.
A imprensa estatal iraniana relatou explosões próximas à região, mas Teerã não emitiu comentário oficial. O incidente ocorre em meio a um cessar-fogo considerado frágil entre os dois países, ampliando a incerteza sobre a oferta global de energia.
O bloqueio naval americano que impede a passagem de petroleiros pelo estreito foi decretado em abril, após 21 horas de negociações no Paquistão terminarem sem acordo sobre o programa nuclear iraniano. Veja como o bloqueio foi anunciado e seus primeiros impactos nos mercados.
Petróleo acima de US$ 100 e nona revisão seguida no Focus
Os reflexos das tensões apareceram nos preços. Por volta das 17h (horário de Brasília), o Brent subia 0,53%, a US$ 100,59 por barril. O WTI, referência dos EUA, avançava 0,12%, a US$ 94,92.
No front doméstico, o Boletim Focus registrou mais uma revisão altista. A projeção para a inflação de 2026 avançou de 4,89% para 4,91% — a nona elevação consecutiva. Na semana anterior, quando a sequência acumulava oito revisões, o Brent ainda estava acima de US$ 111. Leia o contexto da oitava revisão e o cenário da semana anterior.
Wall Street sobe, Europa cede e Ásia avança com força
Os mercados internacionais encerraram a última sessão com comportamentos distintos por região. Em Wall Street, as bolsas fecharam em alta na sexta-feira (8), impulsionadas por dados robustos do mercado de trabalho americano. O S&P 500 subiu 0,83% e o Nasdaq Composite — referência para empresas de tecnologia — avançou 1,71%. O Dow Jones registrou alta marginal de 0,02%.
Na Europa, o movimento foi oposto. O índice Stoxx 600 recuou 0,7%, pressionado pelas preocupações com juros elevados por mais tempo nos EUA e pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Frankfurt liderou as perdas, com queda de 1,32%, seguida por Paris (-1,09%) e Londres (-0,43%).
Na Ásia, os mercados fecharam em alta generalizada. Destaque para o Japão: o índice Nikkei saltou 5,58%, aos 62.833 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 1,57%. Em Xangai, o índice principal avançou 0,48%, acompanhado pelo CSI300 no mesmo ritmo.
