O dólar abriu esta segunda-feira (13) em alta de 0,50%, a R$ 5,0363, enquanto os mercados globais reagiam ao anúncio do bloqueio naval norte-americano aos portos do Irã — medida que entrou em vigor às 11h (horário de Brasília).
A decisão de Donald Trump ocorre após negociações entre EUA e Irã, conduzidas no Paquistão, fracassarem no domingo. As conversas duraram 21 horas e encerraram sem acordo sobre o programa nuclear iraniano.
No Brasil, o Boletim Focus revelou piora nas expectativas: a projeção para o IPCA em 2026 subiu a 4,71%, superando pela primeira vez o teto da meta do Banco Central.
Bloqueio nos portos iranianos e fuga do Estreito de Ormuz
O Exército dos EUA informou que qualquer navio que entrar ou sair de um porto iraniano será interceptado. Em resposta, Teerã avisou que poderá retaliar portos caso a medida seja efetivada — criando risco de escalada em um dos corredores mais estratégicos do comércio mundial.
Dois petroleiros ligados ao Irã deixaram o Golfo Pérsico nesta segunda-feira. Ao mesmo tempo, embarcações de outros países passaram a desviar do Estreito de Ormuz, provocando queda no movimento da área e abrindo incertezas sobre o abastecimento global de petróleo.
Washington garantiu que navios sem relação com o Irã poderão transitar livremente — mas a dúvida já é suficiente para pressionar o mercado de fretes e elevar as cotações do crude. Rússia, China e União Europeia criticaram tanto Teerã quanto Washington pela obstrução da rota.
21 horas de negociação, zero de acordo
O vice-presidente americano JD Vance foi o principal negociador no Paquistão. Segundo ele, as tratativas de alto nível duraram 21 horas, com contato constante com Trump e outros membros do governo, mas encerraram-se na madrugada de domingo após Teerã recusar os termos americanos.
A exigência de Washington era um compromisso formal de que o Irã não buscaria desenvolver uma arma nuclear nem os meios para obtê-la rapidamente — condição que o regime iraniano se recusou a aceitar.
Na semana passada, quando o prazo imposto por Trump ao Irã expirou sem acordo, o petróleo chegou a US$ 110 e o governo brasileiro anunciou um pacote emergencial de R$ 4 bilhões para conter os impactos nos combustíveis — antecedente direto do bloqueio naval desta segunda. Saiba mais sobre o pacote do governo
IPCA estoura meta e Focus revisa projeções
O Boletim Focus desta segunda-feira mostrou que a expectativa do mercado para o IPCA de 2026 subiu a 4,71% — acima do teto da meta do Banco Central e a quinta semana consecutiva de revisão para cima. O principal motor da piora é a tensão no Oriente Médio, que pressiona os preços do petróleo e, por consequência, a inflação doméstica.
O relatório já vinha revisando a estimativa para cima há semanas: em 31 de março, a projeção para 2026 estava em 4,31% — e agora, com o fracasso das negociações no Paquistão, chegou a 4,71%. Veja a evolução das projeções do Focus
Apesar da piora inflacionária, as estimativas para os juros permaneceram estáveis: a Selic deve encerrar 2026 em 12,50% e 2027 em 10,50%, com expectativa de um pequeno corte já na próxima reunião do Copom.
Mercados globais no vermelho
Em Wall Street, as principais bolsas recuavam antes da abertura: Dow Jones caía 0,99%, S&P 500 perdia 0,65% e Nasdaq recuava 0,66%. Na Europa, as quedas eram mais acentuadas — DAX da Alemanha caía 1,42%, CAC 40 da França perdia 0,98% e a bolsa de Londres recuava 0,43%.
Na Ásia, os mercados fecharam próximos da estabilidade. O índice de Xangai subiu 0,06% e o CSI300 avançou 0,21%, enquanto o Hang Seng de Hong Kong caiu 0,9%. Nikkei perdeu 0,74% e o Kospi recuou 0,86%.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, acompanha os desdobramentos em encontros do Banco Mundial e do FMI, onde as repercussões da tensão no Oriente Médio dominam a agenda dos banqueiros centrais.
