O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Donald Trump na Casa Branca nesta quinta-feira (7) e usou a legislação aprovada pela Câmara na véspera como carta diplomática de peso.
Em coletiva na Embaixada do Brasil em Washington, Lula disse ter comunicado ao presidente americano que o Brasil trata minerais críticos e terras raras como questão de soberania nacional, com um conselho vinculado à Presidência para coordenar o setor.
O convite para investir foi aberto a todos: empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas e francesas foram citadas por Lula como parceiras bem-vindas.
O encontro entre os dois chefes de Estado durou quase três horas — mais do que o previsto. Uma declaração conjunta à imprensa no Salão Oval chegou a ser esperada, mas foi cancelada porque a reunião se estendeu além do planejado. Lula falou à imprensa em coletiva na embaixada brasileira, após o almoço com Trump e autoridades dos dois países.
No centro da conversa estava a legislação que o Congresso havia acabado de aprovar. A Câmara criou um fundo garantidor de R$ 2 bilhões, um crédito fiscal de R$ 5 bilhões e o Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência — com a exigência de que os incentivos estejam condicionados ao processamento dos minérios dentro do Brasil.
Reservas que pesam na mesa de negociação
O Brasil ocupa posição de destaque no mapa global de minerais estratégicos: é o maior detentor de reservas de nióbio no mundo, o segundo em grafita e terras raras — com 21 milhões de toneladas catalogadas — e o terceiro em reservas de níquel.
Lula afirmou que o país tem a obrigação de mapear 100% do território para oferecer oportunidades de investimento. A proposta, segundo ele, não é de exclusividade com nenhum país, mas de parcerias abertas para mineração, separação e produção das riquezas que os minérios proporcionam.
A reunião é vista por especialistas como um passo importante para normalizar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, tensionadas após Washington aplicar tarifas sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades nacionais.
O peso estratégico do setor ficou evidente recentemente, quando a americana USA Rare Earth adquiriu a Serra Verde — única mina de terras raras em operação no Brasil — por US$ 2,8 bilhões, colocando o controle do subsolo brasileiro no centro do debate político.
Minerais críticos, porém, eram apenas um dos temas na extensa pauta bilateral. PIX, etanol, crime organizado e a situação política na Venezuela também figuravam nos acordos acertados pelas equipes diplomáticas dos dois países antes do encontro em Washington.
