Os militares dos Estados Unidos atacaram nesta quinta-feira (7) os portos iranianos de Qeshm e Bandar Abbas, ambos às margens do Estreito de Ormuz. A informação foi divulgada por um repórter da Fox News com base em um alto funcionário americano.
Explosões foram ouvidas nas duas localidades, confirmou a agência iraniana Fars. A defesa aérea de Teerã também foi ativada, segundo a agência estatal Mehr.
Os ataques ocorrem enquanto vigora o cessar-fogo prorrogado por Donald Trump no final de abril — e enquanto Washington aguarda resposta iraniana a uma proposta para encerrar o conflito.
Cessar-fogo prorrogado por Trump não impediu os bombardeios
Os dois alvos ficam no Golfo Pérsico, na entrada do Estreito de Ormuz — via marítima estratégica cujo controle está no centro da disputa entre Washington e Teerã. Bandar Abbas é o principal porto iraniano na região; Qeshm fica em ilha homônima, dentro do mesmo estreito.
O cessar-fogo em vigor tem origem em um acordo firmado no início de abril, quando o Irã concordou em reabrir o Estreito de Ormuz em troca da suspensão de ataques americanos. Trump prorrogou a trégua em abril com o objetivo declarado de viabilizar um acordo definitivo entre os países — que ainda não foi assinado.
Apesar da trégua, as duas potências têm trocado ataques repetidos no estreito desde então. Os EUA aguardam resposta de Teerã a uma proposta americana para encerrar o conflito. Não houve pronunciamento oficial imediato de nenhum dos dois governos sobre os bombardeios desta quinta.
Padrão de escalada que antecedeu os ataques desta quinta
Os bombardeios invertem uma dinâmica que dominava o conflito nas semanas anteriores. Em 13 de abril, os EUA impuseram bloqueio naval no Estreito de Ormuz e o Irã respondeu ameaçando atacar portos nos Golfos Pérsico e do Omã — ameaça que agora se inverte, com Washington atingindo diretamente a infraestrutura portuária iraniana.
A escalada segue uma sequência intensa de trocas de ataques. Três dias antes, a agência Fars já havia reportado que mísseis atingiram um navio de guerra americano no mesmo Estreito de Ormuz — episódio que levou o petróleo a superar US$ 100 o barril.
O cessar-fogo vigente havia sido saudado como avanço diplomático: em abril, o Irã concordou em reabrir o estreito por duas semanas em troca da suspensão dos ataques americanos. Trump prorrogou a trégua, mas os bombardeios desta quinta colocam em xeque a sobrevivência do acordo.
