O Governo do Distrito Federal formalizou ao Ministério da Fazenda um pedido de garantia da União para contratar empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Os recursos seriam repassados ao Banco de Brasília (BRB) para cobrir o rombo acumulado desde as operações com o Banco Master.
O ofício foi assinado pela governadora Celina Leão (PP) e enviado na terça-feira (28). No mesmo dia, ela também pediu ao presidente Lula uma reunião ainda esta semana para discutir a crise do banco público — sem confirmação até a tarde de quarta (29).
Nota C barra a garantia que o GDF tenta obter
O pedido enfrenta um obstáculo regulatório de peso: o Distrito Federal tem nota C na Capacidade de Pagamento (Capag), o índice do Tesouro Nacional que mede a saúde fiscal de estados e municípios com base em critérios de endividamento, poupança e liquidez. A classificação impede que a União atue como avalista em novas operações de crédito — prerrogativa reservada a entes com notas A ou B.
O DF havia mantido nota B em 2023 e 2024, mas foi rebaixado na avaliação divulgada no início deste mês. Com isso, perdeu o acesso à garantia federal justamente no momento em que mais precisa dela. Sem o aval da União, o empréstimo junto ao FGC tende a sair em condições menos favoráveis — juros maiores, prazos mais curtos.
No modelo proposto, o GDF tomaria o crédito como acionista controlador do BRB e repassaria os recursos diretamente ao banco para sanear a crise patrimonial. A operação com o Banco Master e a Operação Compliance Zero são apontadas como os eventos que geraram o rombo. Documentos internos revelam que técnicos do próprio BRB já emitiam alertas sobre as carteiras de crédito sem lastro adquiridas do Master à época da compra — o rombo que hoje força o GDF a buscar socorro de R$ 6,6 bilhões.
Em nota, o GDF afirmou que a iniciativa integra medidas conduzidas “com transparência, responsabilidade e diálogo institucional para garantir a estabilidade do BRB”.
Recapitalização em várias frentes, sem desfecho definido
O pedido ao FGC é mais uma peça de um esforço de recapitalização que ainda não encontrou solução. Em abril, o BRB convocou assembleia para votar a emissão de até R$ 8,86 bilhões em novas ações — operação que também enfrentou obstáculos judiciais e segue sem conclusão.
No campo investigativo, a crise ganhou uma nova dimensão formal. O BRB encaminhou à Polícia Federal relatório completo de auditoria forense sobre as operações com o Banco Master, solicitando que a PF adote medidas criminais caso identifique materialidade nos achados — o que situa o caso em terreno que vai além do prejuízo contábil.
A corrida do GDF por saídas financeiras ao BRB coloca em evidência o risco de patrimônio público envolvido: caso a operação de crédito se viabilize sem garantia federal, é o próprio governo do Distrito Federal — e, por extensão, seus contribuintes — que assume integralmente o passivo de um banco que apostou em ativos que não existiam.
