O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o Brasil como um “país politicamente difícil” nesta quarta-feira (17) durante coletiva de imprensa na cúpula do G7, realizada em Évian, na França.
A declaração veio em resposta a uma pergunta da repórter da TV Globo Bianca Rothier. Trump disse ter “passado bastante tempo com Lula” e relatou que os dois conversaram sobre a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas — sem revelar o teor do diálogo.
Na mesma coletiva, Trump lamentou — de forma equivocada — “que Bolsonaro Júnior tenha sido preso”, em aparente alusão à condenação de Eduardo Bolsonaro pelo STF na terça-feira (16) por coação na trama golpista. O presidente americano pareceu confundir Eduardo com Flávio Bolsonaro, que é o filho que concorre à presidência contra Lula em 2026.
Em seguida, Trump fez um paralelo entre os processos eleitorais dos dois países. “Eles jogam duro, mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos. Nossas eleições são totalmente roubadas”, afirmou, ecoando a narrativa de fraude que marcou sua trajetória política.
A afirmação de Trump de que “passou bastante tempo com Lula” contrasta com o que se viu na véspera: na foto oficial do G7, os dois líderes posaram juntos, mas não chegaram sequer a se cumprimentar.
A conversa sobre o PCC e o Comando Vermelho que Trump relatou já havia ganhado palco no dia anterior. No G7, Lula defendeu que só os brasileiros definem como o crime organizado é classificado e combatido no país — posição frontalmente oposta à dos EUA, que pressionam pelo rótulo de terrorismo.
Irã, arma nuclear e a defesa da guerra
Na mesma coletiva, Trump afirmou que o Irã teria usado uma arma nuclear assim que a obtivesse. “Eles iriam eliminar todo o Oriente Médio, incluindo Israel, e se tivessem uma arma nuclear, teriam usado em questão de momentos após a obter”, disse.
A declaração foi usada pelo presidente americano para defender os méritos do conflito travado com Israel contra o Irã e elogiar o acordo de paz assinado na segunda-feira. Segundo Trump, o entendimento “é o começo de um tratado muito maior” e os iranianos concordaram em “não buscar, comprar nem produzir uma arma nuclear”.
O rótulo de “país politicamente difícil” tem raízes mais fundas na relação bilateral. Em junho, após o anúncio do tarifaço americano, Lula subiu o tom contra Washington e acusou a oposição de buscar punições ao Brasil por interesse eleitoral — tensão que ressurge com força nas declarações de Trump no G7.
