A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (16), o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa em Brasília. A detenção é o desdobramento mais grave, até agora, das investigações sobre os negócios entre o banco público do Distrito Federal e o Banco Master.
A ação integra nova fase da Operação Compliance Zero. Ao todo, 7 mandados foram cumpridos no Distrito Federal e em São Paulo.
Costa presidiu o BRB a partir de 2019, indicado pelo então governador Ibaneis Rocha (MDB). Foi sob sua gestão que a instituição tentou adquirir participação relevante no Banco Master — operação apresentada como alternativa para evitar a quebra da instituição privada controlada por Daniel Vorcaro.
O Banco Central vetou o negócio ao concluir que não havia viabilidade econômico-financeira e que a compra transferiria riscos excessivos ao banco público. A PF apura também se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master, com foco em possíveis falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança.
O que motivou a prisão
Costa é suspeito de descumprir práticas de governança e de permitir operações com o Master sem o devido lastro. Documentos internos do BRB já revelavam, desde abril de 2025, que a equipe técnica da instituição havia identificado carteiras do Master sem averbação verificável — exatamente o tipo de operação que motivou sua detenção. (Leia o documento que prova o que o BRB sabia)
Semanas antes da prisão, o BRB encaminhou à PF o relatório completo da auditoria forense conduzida pelo Machado Meyer, solicitando medidas criminais caso houvesse materialidade nos achados. (Veja o relatório entregue à PF)
A Operação Compliance Zero acumula três fases desde novembro de 2025, com R$ 22 bilhões bloqueados e o afastamento judicial de Costa já na primeira etapa. A prisão desta quinta marca uma escalada no alcance da investigação. (Relembre o histórico da operação)
Em depoimento ao STF, Costa afirmou que parte dos valores pagos ao Master não teria sido recuperada após a liquidação. A PF ainda apura se esse montante corresponde ao prejuízo efetivo e se houve responsabilidade criminal ou administrativa.
Com formação em administração de empresas e especializações em universidades estrangeiras, o executivo acumula mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro. Sua indicação ao BRB foi diretamente política — feita por Ibaneis Rocha —, dimensão que tende a ganhar peso à medida que o caso avança no STF.
