A Polícia Federal formalizou, nesta terça-feira (17), um pedido de prorrogação do inquérito da Operação Compliance Zero ao ministro André Mendonça, do STF. A investigação apura um esquema de fraudes financeiras no Banco Master que pode ter causado prejuízos superiores a R$ 12 bilhões.
Segundo policiais ouvidos pela reportagem, ainda há grande volume de documentos, computadores e celulares apreendidos a serem periciados. A praxe no STF é atender pedidos como esse — e Mendonça deve decidir sobre a extensão do prazo nos próximos dias.
Três fases e R$ 22 bilhões bloqueados
A Compliance Zero teve início em novembro de 2025, com expedição de mandados contra a cúpula do Banco Master, incluindo seu presidente, Daniel Vorcaro. Ao mesmo tempo, a Justiça determinou o afastamento de Paulo Henrique Costa, presidente do Banco de Brasília (BRB), investigado por supostamente ter injetado recursos do banco público em operações fraudulentas com o Master.
Em janeiro de 2026, uma segunda fase mirou o rastreamento de ativos: a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões e foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro e seus familiares. Entre os itens recolhidos, carros de luxo e dinheiro em espécie.
A fase mais recente, em março, revelou uma estrutura de coerção chamada “A Turma” — descrita como uma milícia privada usada para monitorar e intimidar jornalistas e adversários do banco. Servidores do Banco Central também foram alvo por supostamente atuar como consultores informais de Vorcaro, vazando informações regulatórias em troca de propina.
Com a revelação do esquema, Vorcaro foi preso novamente e o STF determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens. Três dias antes do pedido de prorrogação, a Segunda Turma do STF votou 2 a 0 para manter Vorcaro preso — decisão que evidencia a profundidade das apurações e justifica o prazo extra solicitado pela PF.
Crédito falso, corrupção e obstrução de Justiça
No centro do esquema estão a fabricação de carteiras de crédito falsas e o desvio de recursos para o patrimônio pessoal dos envolvidos. A PF apura que as práticas geraram prejuízos que podem ultrapassar R$ 12 bilhões.
Os investigados responderão por gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e obstrução de Justiça — um conjunto de crimes que amplia o escopo e a complexidade do material a ser periciado.
Em paralelo ao avanço das investigações, a defesa de Vorcaro trava batalha no STF para acessar as provas que embasaram a prisão preventiva — exatamente o material que a PF ainda analisa e que fundamenta o pedido de mais prazo ao relator.
A decisão de Mendonça sobre a prorrogação deve ser publicada nos próximos dias e tende a definir o ritmo das próximas etapas da operação.
