Ciência

Artemis 2 abre era de mineração lunar e acirra disputa por recursos espaciais

Empresas privadas já captam recursos para explorar hélio-3 e gelo polar, enquanto o marco jurídico internacional segue incompleto
Nave Orion da Artemis II em órbita marcando o início da exploração comercial da Lua

A missão Artemis 2 deu a volta ao redor da Lua e encerrou uma era: o satélite que já foi troféu da Guerra Fria agora é visto como zona de recursos exploráveis, palco para infraestrutura industrial e, no longo prazo, uma possível extensão da economia terrestre.

Com projetos de mineração já em financiamento e governos disputando posição, a corrida não é mais apenas geopolítica — é também econômica. E as regras do jogo ainda estão sendo escritas.

Empresas privadas entram na corrida

Por trás do programa Artemis da NASA — apoiado por dezenas de parceiros internacionais — há um plano que vai além das missões tripuladas: estabelecer presença sustentada na Lua, com instalações no polo sul e estratégia de longo prazo. China e Rússia planejam uma base científica conjunta para 2035, ao lado de outros 13 parceiros internacionais.

O setor privado não ficou de fora. A empresa americana Interlune captou 18 milhões de dólares e planeja lançar uma câmera multiespectral ao polo sul lunar no fim de 2026 para mapear concentrações de hélio-3, isótopo raro com potencial uso em fusão nuclear. A empresa prepara ainda uma missão de amostragem em 2027 e uma planta-piloto por volta de 2029.

Em parceria com a Vermeer, a Interlune desenvolve uma escavadeira lunar elétrica capaz de processar até 100 toneladas métricas de solo por hora. Outras empresas — ispace, Astrobotic e Intuitive Machines — avançam com módulos de pouso e robôs para analisar o terreno lunar. Programas da Europa, Japão e Austrália também desenvolvem tecnologias voltadas à avaliação do potencial lunar.

Recursos em jogo e a dúvida central

A Lua concentra uma lista relevante de materiais: urânio, fósforo, potássio, platina, titânio, terras raras e hélio-3. Gelo de água nas regiões polares é especialmente estratégico — poderia gerar oxigênio e combustível para missões prolongadas sem depender de reabastecimento terrestre.

A viabilidade econômica ainda é incerta. Ángel Abbud-Madrid, da Escola de Minas do Colorado, compara o cenário ao “ouro no oceano”: o material pode existir em concentrações baixas demais para justificar a extração. As missões dos próximos anos precisarão responder a essa questão antes que grandes investimentos se concretizem.

A equação de custos também pode mudar: foguetes reutilizáveis como a Starship da SpaceX poderiam reduzir o transporte de carga ao espaço para entre 250 e 600 dólares por quilograma. Mas chegar à superfície lunar com tripulação em 2028 ainda impõe desafios técnicos sérios à NASA, com módulos de pouso da SpaceX e da Blue Origin acumulando atrasos significativos.

Lacunas jurídicas e a disputa por quem se beneficia

A exploração lunar expõe um vácuo regulatório relevante. O Tratado do Espaço Exterior de 1967 proíbe reivindicar a propriedade da Lua, mas não define o que acontece com os recursos extraídos. O Acordo da Lua de 1979 tentou preencher essa lacuna ao declarar esses recursos “patrimônio comum da humanidade” — mas foi ratificado por apenas 15 países, sem que nenhuma grande potência espacial o assinasse.

Na ausência de normas globais vinculantes, cada país legislou por conta própria. Os EUA reconheceram em 2015 o direito de seus cidadãos de extrair recursos espaciais; Luxemburgo, Emirados Árabes e Japão adotaram medidas semelhantes. O resultado é um mosaico de regras nacionais sem árbitro internacional.

Pesquisadores alertam para o risco de concentração. A acadêmica Emma Herzog, da Universidade do Colorado Boulder, adverte que “acessibilidade não é sinônimo de equidade”: sem governança ampla, os benefícios tendem a ser capturados por corporações poderosas e nações ricas. Cientistas como o astrônomo Martin Elvis, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, propõem proteger áreas de alto valor científico — especialmente o lado oculto da Lua — de interferências industriais.

A questão central já não é apenas quem chega primeiro, mas sob quais regras essa atividade vai se desenvolver. O Brasil também busca posição nessa corrida: o país negocia com Washington a inclusão de projetos nacionais no programa Artemis, entre eles uma iniciativa da Embrapa para cultivar alimentos em futuras bases lunares. Entenda o que o Brasil está negociando com a NASA para entrar na nova era da exploração lunar.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Itália autoriza extradição de Zambelli no caso do porte ilegal de arma

Prévia do PIB cresce 0,6% em fevereiro e completa cinco meses de alta

Ex-presidente do BRB levou esposa a visitar apartamentos de propina, aponta PF

Trump envia 10 mil militares ao Oriente Médio com cessar-fogo prestes a expirar