A Justiça italiana autorizou nesta quinta-feira (16) a extradição da ex-deputada Carla Zambelli ao Brasil no caso do porte ilegal de arma de fogo. A informação foi confirmada pelo embaixador brasileiro em Roma, Renato Mosca de Souza.
A decisão se refere ao episódio de outubro de 2022, quando Zambelli perseguiu um homem armada pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, após uma discussão política.
As imagens de Zambelli correndo com uma pistola em punho pelas ruas do Jardins viralizaram na época e desencadearam investigações no Supremo Tribunal Federal. Ao fim do processo, o STF a condenou por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.
A nova decisão desta quinta é específica a esse episódio. Segundo o embaixador Renato Mosca de Souza, da deliberação ainda cabe recurso — o que pode prolongar o processo antes que qualquer extradição seja efetivada.
Além desse caso, Zambelli responde por outro processo no âmbito da extradição: a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), crime pelo qual foi condenada a 10 anos de prisão. A Corte de Apelações italiana já havia aceitado extraditar Zambelli em março — naquele caso, pela invasão dos sistemas do CNJ —, decisão que a defesa recorreu em 10 de abril e ainda aguarda análise.
Foragida em Roma desde julho de 2025
Zambelli está presa em um presídio nos arredores de Roma desde 29 de julho de 2025, em unidade que abriga mulheres em regimes de segurança média e alta. As autoridades italianas justificam a prisão preventiva pelo risco concreto de fuga.
Ela deixou o Brasil em maio do ano passado pela fronteira com a Argentina, passando também pelos Estados Unidos antes de chegar à Itália, onde possui cidadania. Por ter fugido após condenação do STF, é formalmente considerada foragida da Justiça brasileira. O pedido de extradição foi assinado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo.
Tratado e mandato cassado
Brasil e Itália mantêm um tratado recíproco de extradição em vigor desde 1993, que obriga os dois países a entregar pessoas procuradas pela outra nação — seja para julgamento ou para cumprimento de pena. O mecanismo já foi acionado dezenas de vezes desde então.
Quanto ao mandato, o STF ordenou em dezembro a cassação da parlamentar, revertendo decisão contrária da Câmara dos Deputados. Zambelli entregou carta de renúncia à Casa três dias depois.
