Economia

Inadimplência se mantém em 5% e endividamento das famílias passa de 50% da renda

Recordes do Banco Central chegam em meio à eleição e às vésperas de nova rodada do Desenrola, que mira R$ 150 bilhões em dívidas
Sede do Banco Central e app Desenrola ilustram inadimplência recorde e endividamento das famílias

A inadimplência nas operações de crédito dos bancos ficou estável em 5% em setembro e segue no maior nível desde março de 2011, início da série revisada, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Banco Central.

O endividamento das famílias também bateu recorde: chegou a 50,1% da renda anual em agosto, a primeira vez que o indicador ultrapassa a marca de 50%.

O que mostram os números do BC

O indicador de inadimplência considera operações com atraso superior a 90 dias, tanto de pessoas físicas quanto de empresas. A estabilidade em 5% significa que o patamar recorde não recuou no mês.

A escalada da inadimplência bancária já vinha em curso: em maio, mês do lançamento do Desenrola 2.0, o Banco Central havia registrado 4,7%, então o maior patamar da série.

No endividamento, a comparação com o início da série mostra o tamanho da mudança. Em março de 2011, as dívidas somavam 34,9% da renda anual das famílias. Agora, passam da metade.

Juros altos e crédito caro pesam no orçamento

No início de setembro, o BC avaliou que, diante da alta taxa de juros no país, o “endividamento continua pressionando a condição financeira de famílias e empresas”.

Na ata da reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), realizada no fim de agosto, a autoridade monetária afirmou que prepara medidas para “mitigar riscos” ligados ao peso das modalidades de crédito mais caras na composição da dívida das famílias.

Nova rodada do Desenrola mira R$ 150 bilhões

Os recordes aparecem em plena corrida eleitoral e apesar das iniciativas do governo para aliviar as dívidas. O Novo Desenrola Brasil foi lançado em maio, para quem ganha até R$ 8.105, quando o endividamento das famílias já estava em 49,9% da renda.

Na última semana, o governo anunciou outra rodada, com previsão de renegociar R$ 150 bilhões em dívidas com atraso de 2 a 4,5 anos. A União compraria as carteiras de crédito das instituições financeiras com deságio de 90%, com desembolso estimado de R$ 15 bilhões.

O foco são dívidas de cartão de crédito, nas modalidades parcelada e rotativa, e de crédito pessoal sem consignação em folha. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, entrarão débitos de até R$ 10 mil.

Regras para ofertas de crédito via PIX

Na semana passada, o BC definiu que ofertas de empréstimo no ambiente do PIX dependerão de consentimento prévio e específico do usuário, com intervalo mínimo de 24 horas entre a habilitação e a primeira oferta.

As instituições também terão de oferecer um mecanismo claro para bloquear propagandas e ofertas ativas de crédito. A resolução entra em vigor em 31 de março de 2027 e, segundo o BC, amplia o controle dos clientes sobre o que recebem.