Meio ambiente

Lista oficial de flora ameaçada cresce e passa a reunir 3.730 espécies no Brasil

Pau-brasil está entre as 728 plantas criticamente em perigo, e duas espécies da Mata Atlântica podem já ter desaparecido
Floresta densa da Mata Atlântica com riacho entre pedras musgosas, símbolo da flora ameaçada de extinção no Brasil

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) atualizou nesta quarta-feira (28) a lista oficial de espécies da flora ameaçadas de extinção no Brasil. A relação agora reúne 3.730 árvores, arbustos e plantas de pequeno porte.

Na revisão anterior, publicada em 7 de junho de 2022, eram 3.209 espécies, ou seja, 521 a menos. O Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) classificou cada planta de acordo com o seu estado de conservação.

Como as espécies foram classificadas

As plantas estão divididas em quatro categorias de risco: Vulnerável (VU), Em Perigo (EN), Criticamente em Perigo (CR) e Criticamente em Perigo – Possivelmente Extinta (CR-PE).

O maior grupo é o das espécies em perigo de extinção, com 2.162 registros. Nele estão a araucária (Araucaria angustifolia) e o jequitibá-rosa (Cariniana legalis).

Um dia antes da atualização, um estudo publicado na revista Oryx já alertava que todas as coníferas nativas do Brasil, araucária incluída, enfrentarão um clima diferente do atual por volta de 2050.

Outras 838 espécies foram consideradas vulneráveis. Entre elas estão a castanha-do-pará (Bertholletia excelsa), que integra a lista desde 1992, e o palmito-juçara (Euterpe edulis), apontado como de grande importância para a economia da floresta.

Na categoria criticamente em perigo, que soma 728 espécies, aparece o pau-brasil (Paubrasilia echinata).

Duas espécies podem ter desaparecido

Só duas plantas entraram na lista como possivelmente extintas, e as duas são nativas da Mata Atlântica. Uma delas é a Symplocos rizzinii, árvore presente na região da Serra do Itatiaia, no Rio de Janeiro.

A outra é a Plinia rogersiana, do mesmo gênero da jabuticaba, com ocorrência em São Paulo.

Critérios e revisão periódica

Para enquadrar cada espécie, a avaliação levou em conta o tamanho, a fragmentação e o declínio das populações, a distribuição geográfica, as ameaças e as medidas de conservação que já existem.

A Portaria 43/2014, do Ministério do Meio Ambiente, determina que a lista seja revisada a cada cinco anos. O material divulgado não informa quais espécies entraram ou saíram da relação desde a versão de 2022, nem explica o aumento do total.