O ministro da Fazenda, Dario Durigan, autorizou a garantia da União para um empréstimo de R$ 7 bilhões que os Correios vão tomar de um consórcio formado por ABC Brasil, Citibank, Deutsche Bank e JP Morgan.
O despacho, assinado na terça-feira (27), foi publicado no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (28) e abrange contratos de garantia e de contragarantia. O dinheiro vai para o Plano de Reestruturação 2025-2027 da estatal, que fechou o primeiro semestre de 2026 com prejuízo de R$ 5,55 bilhões.
Custo, prazo e cronograma de liberação
A operação foi fechada a um custo de 114,84% do CDI. Do total, R$ 5 bilhões devem entrar no caixa dos Correios na assinatura do contrato. Os R$ 2 bilhões restantes estão previstos para até dezembro.
A estatal terá 15 anos para pagar a dívida, com três anos de carência antes de começar a amortização. O contrato traz uma cláusula específica: se a empresa for privatizada, o saldo devedor que restar deverá ser quitado de forma antecipada.
Segundo crédito bilionário em menos de um ano
O novo empréstimo se soma a outro, maior, de R$ 12 bilhões, assinado em 26 de dezembro de 2025 com Bradesco, Itaú, Santander, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. O prazo também é de 15 anos. Esse primeiro aporte foi destinado a dar liquidez imediata, renegociar dívidas em atraso e restabelecer o fluxo de caixa com fornecedores e credores.
Aquela operação passou por uma primeira versão que não avançou. O desenho inicial previa R$ 20 bilhões com outro grupo de bancos (Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Banco Safra), mas o Tesouro considerou alta demais a taxa, de cerca de 136% do CDI. O contrato efetivamente assinado ficou em torno de 115% do CDI, patamar próximo ao do crédito autorizado agora. O novo crédito é apresentado como a segunda parcela de um programa estimado em até R$ 20 bilhões para a recuperação operacional e financeira da estatal.
Para o triênio 2025-2027, o plano divulgado pela empresa projeta redução de R$ 4,2 bilhões em despesas anuais, aumento de R$ 1,7 bilhão nas receitas operacionais e mais R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis. O conjunto de medidas inclui um Programa de Demissão Voluntária (PDV), a reestruturação do plano de saúde dos empregados, a repactuação de passivos e a otimização da rede de agências.
Rombo no balanço e conta de longo prazo
Os Correios fecharam 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, o quarto resultado anual negativo consecutivo desde 2021. No primeiro semestre de 2026, o prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões foi 30,36% maior que o do mesmo período de 2025, de R$ 4,26 bilhões.
Além disso, a estatal registrava patrimônio líquido negativo de R$ 19,9 bilhões, segundo os dados mais recentes da empresa. Na prática, as dívidas e obrigações superam o valor de tudo o que ela possui.
Só o empréstimo de R$ 12 bilhões deve custar cerca de R$ 34,2 bilhões aos Correios até o fim do contrato, pouco mais que o dobro da receita líquida da empresa em 2025. O novo crédito de R$ 7 bilhões vai se somar a esse compromisso nos próximos anos.
Operação já estava no radar
A nova rodada de crédito não pegou o mercado de surpresa. Em setembro, os Correios já esperavam fechar o novo empréstimo de R$ 7 bilhões com um consórcio que incluía bancos estrangeiros.
Antes disso, em março, o governo havia anunciado um aporte de capital na estatal para 2027 e admitido que avaliava um novo financiamento para reforçar o caixa da empresa.