Economia

Correios vão vender seguros e títulos financeiros para enfrentar rombo de R$ 8,5 bi

Portaria do Ministério das Comunicações autoriza a estatal a atuar no mercado financeiro e como operadora virtual de telefonia
Correios autorizada a vender seguros e títulos financeiros: veículo amarelo em estratégia institucional

O governo federal autorizou nesta quinta-feira (14) os Correios a comercializarem seguros, títulos de capitalização e outros produtos financeiros via convênios com instituições do setor, por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União.

A medida é resposta direta ao rombo acumulado: em 2025, os Correios fecharam com prejuízo de R$ 8,5 bilhões — mais de três vezes o de 2024 — e completaram 14 trimestres consecutivos no vermelho.

A portaria do Ministério das Comunicações autoriza os Correios a ofertarem seguros, bônus e títulos financeiros em geral, incluindo títulos de capitalização. A expectativa do governo é que a empresa pública firme convênios com instituições financeiras para disponibilizar esses produtos à população em suas agências.

Além dos serviços financeiros, a mesma portaria abre caminho para os Correios atuarem no mercado de telefonia celular como operadora virtual, em parceria comercial e seguindo as regras da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

A crise que forçou a medida

O prejuízo de R$ 8,5 bilhões registrado em 2025 superou em mais de três vezes o rombo de R$ 2,6 bilhões de 2024, sendo o pano de fundo direto para a autorização desta quinta. A estatal busca novas fontes de receita para escapar de um ciclo de perdas que se arrasta desde o quarto trimestre de 2022. Correios fecham 2025 com rombo de R$ 8,5 bi e 14 trimestres no vermelho

O cenário não deu trégua em 2026: no primeiro trimestre, a empresa acumulou mais R$ 3,4 bilhões em prejuízo, entrando no 15º trimestre consecutivo no vermelho, com despesas financeiras saltando 312% por causa do empréstimo de R$ 12 bilhões contratado no fim de 2025. Correios acumulam prejuízo de R$ 3,4 bi no 1º trimestre de 2026

Em março, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou que o governo planeja realizar um aporte de capital nos Correios em 2027. A medida está prevista no contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado com um consórcio de bancos em dezembro de 2025 — o que representa uma transferência direta do Tesouro Nacional para a empresa.

As medidas de reestruturação aprovadas no fim de 2025 avançam, porém, bem abaixo do esperado: o PDV reuniu apenas 23% das adesões previstas e os leilões de imóveis venderam somente 4 das 21 unidades ofertadas. Esse descompasso aumenta a pressão para que os novos negócios compensem o déficit operacional. Reestruturação dos Correios avança abaixo da meta com rombo de R$ 8 bi

A autorização posiciona os Correios em um segmento já disputado por bancos, fintechs e seguradoras. A capilaridade da estatal — com agências espalhadas por todo o país, inclusive em municípios sem acesso a serviços bancários — pode ser o principal trunfo na oferta desses novos produtos.

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