Economia

Conta de luz banca R$ 47,8 bilhões em subsídios do setor elétrico em 2026

Parcela paga pelos consumidores cresce 15,4% e avança mais que o dobro do fundo como um todo, que soma R$ 52,66 bilhões
Logotipo da Aneel sobre conta de luz, ilustrando o orçamento da CDE em 2026 e os subsídios pagos pelos consumidores

Os consumidores brasileiros vão pagar R$ 47,8 bilhões na conta de luz em 2026 para financiar subsídios e políticas públicas do setor elétrico. O valor faz parte do orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), aprovado em definitivo pela diretoria da Aneel na terça-feira (27).

A fatia cobrada pela tarifa, chamada CDE-Uso, subiu 15,4% em relação a 2025. O fundo inteiro cresceu 7% e chegou a R$ 52,66 bilhões.

O que a CDE financia

A CDE é um fundo do setor elétrico que reúne recursos para bancar políticas públicas definidas pelo governo federal e pelo Congresso. Entram nessa conta programas como a Tarifa Social, que dá desconto na energia para famílias de baixa renda, o Luz para Todos, que leva eletricidade a regiões sem acesso, e incentivos a fontes renováveis.

A maior parte do dinheiro vem dos próprios consumidores. A CDE-Uso entra como encargo na tarifa mensal paga às distribuidoras, o que significa que todo cliente ajuda a custear esses programas, se beneficiando deles ou não.

De onde vem o restante

Os cerca de R$ 4,9 bilhões que não saem da tarifa vêm de outras fontes: pagamentos pelo Uso de Bem Público (UBP), multas aplicadas pela Aneel a empresas do setor, recursos da Reserva Geral de Reversão e, em alguns casos, verbas do Orçamento Geral da União.

A diferença no ritmo de crescimento mostra que o peso sobre o consumidor aumentou mais rápido que o tamanho do fundo. Enquanto a CDE como um todo cresceu 7%, a parte bancada pela tarifa avançou 15,4%. Em 2025, o orçamento da CDE já havia subido 32,4% em relação ao ano anterior, o que mostra que a escalada dos encargos não é recente.

Como o orçamento foi definido

A decisão da Aneel encerra um processo que começou com uma consulta pública aberta entre 10 de dezembro de 2025 e 26 de janeiro de 2026. Participaram distribuidoras de energia, associações do setor, empresas de geração, conselhos de consumidores e institutos de pesquisa.

Para que a arrecadação começasse em janeiro, a agência fixou de início quotas mensais provisórias, recolhidas pelas distribuidoras nas faturas. Ao longo do ano, a Aneel acompanhou o fluxo de caixa real do fundo até setembro. Só depois de confirmar que os valores provisórios bastaram para cobrir as despesas, a diretoria aprovou o orçamento em caráter definitivo.

Pressão sobre as tarifas

O encargo é um dos componentes que pesam no valor final da energia. Neste ano, os encargos setoriais, entre eles a CDE, já vinham pressionando as tarifas: em abril, a Aneel aprovou reajustes de até 15% para oito distribuidoras, que atendem mais de 22 milhões de unidades consumidoras.