A conta de luz deve subir acima da inflação em 2025, segundo projeção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O reajuste médio estimado é de 6,3%, superando a inflação prevista de 5,05%.
O aumento é impulsionado por custos maiores de geração, transmissão e orçamento do fundo setorial CDE, além de fatores climáticos e uso de termelétricas.
Principais fatores para o aumento da tarifa
O reajuste das tarifas de energia elétrica em 2025 será influenciado por diversos fatores, como o aumento dos custos operacionais das distribuidoras e geradoras, investimentos em infraestrutura e manutenção das redes, além da aquisição de energia no mercado. A variação do preço dos combustíveis usados nas termelétricas e a inflação dos insumos também pressionam o custo final da energia.
O orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para 2025 foi fixado em R$ 49,2 bilhões, valor R$ 8,6 bilhões acima do previsto anteriormente. Esse fundo setorial, abastecido por cobranças nas contas de luz, multas e aportes do Tesouro, financia políticas públicas como tarifa social, geração em áreas isoladas e subsídios para fontes renováveis.
Impactos para consumidores e economia
O aumento das tarifas afeta diretamente o orçamento doméstico e empresarial. Especialistas recomendam o uso consciente da energia e a adoção de equipamentos mais eficientes. A energia elétrica tem peso de cerca de 4% no IPCA, e reajustes elevados podem pressionar ainda mais a inflação, dificultando o controle dos preços e a política monetária.
Segundo José Ronaldo Souza Jr, professor do Ibmec, “quando a tarifa média de energia cresce mais que a inflação projetada, a eletricidade fica mais cara em termos reais”. Isso reduz o poder de compra, especialmente das famílias de baixa renda, mesmo com a ampliação recente da tarifa social.
Medidas, projeções e efeitos futuros
Em maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou medida provisória ampliando descontos e isenção na tarifa social, beneficiando cerca de 55 milhões de brasileiros com desconto e 60 milhões com isenção, ao custo de R$ 3,6 bilhões por ano.
A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, destaca que os reajustes refletem a elevação dos custos e a inércia inflacionária, prolongando o período de inflação alta e adiando possíveis cortes na taxa Selic, atualmente em 15%.
Influência do clima e bandeiras tarifárias
O cenário hidrológico desfavorável, com afluências abaixo da média, reduz a geração hidrelétrica e exige o acionamento de termelétricas, elevando custos. O sistema de bandeiras tarifárias, criado pela Aneel, sinaliza esses custos extras. Em agosto, a bandeira está em vermelho 2, com cobrança adicional de R$ 7,87 a cada 100 kWh.
Projeções da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) indicam que a bandeira verde pode retornar apenas em dezembro, com a recuperação dos reservatórios. Até lá, os consumidores continuarão pagando tarifas mais altas, com possível alívio apenas no fim do ano, o que pode contribuir para uma inflação menor no fechamento de 2025.