Saúde

Afastamentos do trabalho por vício em jogos quintuplicam entre 2023 e 2025

Licenças do INSS por ludopatia chegaram a 361 no ano passado; homens de 30 a 39 anos formam o grupo mais atingido
Fachada do INSS e retratos de homens ilustrando afastamentos por vício em jogos que quintuplicaram no Brasil

Em três anos, o número de trabalhadores afastados pelo INSS por vício em jogos ficou cinco vezes maior.

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os benefícios por incapacidade temporária ligados à ludopatia passaram de 67 em 2023 para 361 em 2025.

A maioria dos casos está ligada às apostas online. Homens de 30 a 39 anos são o perfil mais atingido.

Como os números evoluíram

O levantamento do MTE considerou os benefícios por incapacidade temporária concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em que constava o código de doença relacionado à ludopatia, nome técnico do comportamento compulsivo de jogar.

Em 2023, 67 trabalhadores foram afastados por esse motivo. No ano seguinte, foram 157. Em 2025, o total chegou a 361. Na prática, o número de afastamentos mais que dobrou a cada ano da série.

Quem são os afastados

Os homens respondem por 71% dos casos. A faixa etária de 30 a 39 anos concentra 44,1% dos afastamentos, ou seja, trabalhadores em plena idade produtiva.

A compulsão vale para qualquer tipo de jogo, mas, de acordo com os dados, a maior parte dos casos está relacionada às apostas online, as chamadas bets.

O impacto do vício na saúde já havia aparecido na ação em que a AGU cobra R$ 1 bilhão de 17 bets, na qual o governo aponta alta de cerca de 140% nos atendimentos do SUS por jogo patológico entre 2018 e 2025.

Dados são anteriores à proibição das bets

Em 25 de setembro deste ano, o governo federal proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas online no país.

Como a série divulgada pelo MTE termina em 2025, os números não mostram o que aconteceu com os afastamentos depois da medida. Também não indicam se a proibição das bets vai reduzir o adoecimento já registrado entre os trabalhadores.

Após a proibição, o Ministério da Saúde anunciou busca ativa de apostadores para oferecer acompanhamento e tratamento. A iniciativa busca lidar justamente com o adoecimento que agora aparece nos afastamentos do trabalho.

O levantamento do MTE não informa quanto tempo duraram os afastamentos, em que setores esses trabalhadores atuavam nem o custo dos benefícios para a Previdência.