Política

Meta tira do ar vídeo de MC Cabelinho sobre Flávio Bolsonaro e cita regra de IA do 2º turno

Remoção ocorre dois dias após a empresa garantir ao TSE que trata as campanhas de Lula e Flávio de forma igual
Prédio do TSE com logo da Meta em destaque: Meta remove vídeo MC Cabelinho em meio a regras de IA no segundo turno

A Meta removeu do Instagram nesta quinta-feira (22) um vídeo do cantor MC Cabelinho, feito em parceria com o portal Revelando, sobre a acusação de que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, foi funcionário fantasma no gabinete do pai, Jair Bolsonaro, aos 19 anos.

Procurada pelo g1, a empresa atribuiu a retirada às regras eleitorais para conteúdo feito ou alterado por inteligência artificial, que valem da 0h desta quinta até as 23h59 de segunda-feira (26).

O que diz a Meta

Segundo a companhia, a restrição ligada ao segundo turno segue o horário de Brasília e foi definida pelo período fixado pelo TSE. Quando esse prazo terminar, as publicações atingidas voltam a aparecer para usuários no Brasil.

A empresa afirmou ainda que o bloqueio pode alcançar arquivos editados em aplicativos com recursos de IA, mesmo quando quem publica não percebe que a tecnologia foi usada. A Meta não informou qual trecho do vídeo teria passado por esse tipo de edição.

Reação de artistas e do portal

MC Cabelinho comentou a remoção no próprio perfil no Instagram. O Revelando também reagiu e publicou nos stories relatos de indignação com a decisão.

Os atores Fabio Porchat e Gregório Duvivier se juntaram aos protestos e contestaram a justificativa de que o material seria propaganda eleitoral.

De acordo com o relato do portal, um recurso já foi apresentado para tentar recolocar a publicação no ar.

Meta pressionada no TSE

O caso ocorre dois dias depois de a Meta dizer ao Tribunal Superior Eleitoral, na terça-feira (20), que cumpriu as determinações para garantir igualdade na distribuição de conteúdos políticos e de anúncios eleitorais. A resposta veio depois de o ministro Marco Aurélio Bellizze dar 24 horas, na segunda-feira (19), para a empresa detalhar as medidas adotadas.

No documento, a companhia citou uma declaração técnica que, segundo ela, “atesta que os conteúdos relativos às duas candidaturas são tratados de forma igual e não discriminatória”. No mesmo dia, o Conselho de Supervisão da própria Meta apontou falhas recorrentes na moderação de conteúdo eleitoral.

A cobrança vem de uma decisão de 15 de outubro, quando o TSE proibiu a Meta de reduzir o alcance ou limitar a busca e a recomendação de conteúdos de Lula (PT) e Flávio. O pedido partiu da campanha do petista, que tenta a reeleição e acusou a plataforma de falhar várias vezes na entrega de suas publicações.

A ação também apontou que a ferramenta de IA da empresa gerava imagens ligadas a Flávio, mas não a Lula. Flávio, por sua vez, também diz que conteúdos de sua campanha foram prejudicados pela empresa.