Meio ambiente

EUA lideram alta de emissões em 2025, e ONU diz que corte global segue muito aquém do necessário

Mundo emitiu 58,4 bilhões de toneladas de CO₂e no ano passado; para limitar o excesso de aquecimento, queda teria de chegar a 18% até 2030
Bandeira dos EUA sobre emblema da ONU, ilustrando o relatório ONU emissões globais 2025

Os Estados Unidos tiveram o maior aumento de emissões de gases de efeito estufa em 2025 entre os países com alta. No mesmo ano, o total global ficou praticamente estável, em 58,4 GtCO₂e, segundo o Relatório sobre a Lacuna de Emissões, que o Pnuma divulgou na quarta-feira (21).

Para o programa da ONU, décadas de ação climática insuficiente tornaram inevitável ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento global. A queda estimada de 0,1 GtCO₂e em relação a 2024 ainda não permite dizer se as emissões chegaram ao pico.

Carvão e política de Trump puxam alta nos EUA

As estimativas preliminares para 2025 apontam aumento de emissões nos Estados Unidos, na Indonésia e na China. O cálculo não inclui o setor de uso da terra, que só tem dados até 2023. Entre os três, os norte-americanos registraram a maior alta, de 133 MtCO₂e, puxada pela maior demanda por eletricidade e pela volta da geração a carvão.

O quadro tende a piorar. De acordo com o Pnuma, as medidas do governo Donald Trump devem deixar as emissões do país em 2030 quase 0,9 GtCO₂e acima do que seriam com as políticas da gestão Joe Biden. Desde a posse, Trump tirou os EUA do Acordo de Paris, reduziu subsídios às energias renováveis e incentivou a expansão da produção de combustíveis fósseis.

O próprio relatório publica uma declaração de Washington. O texto informa que o país notificou sua saída da UNFCCC em 27 de fevereiro de 2026, com efeito a partir de 27 de fevereiro de 2027, e que “não endossa nem concorda” com as análises do documento.

Fósseis seguem no centro do problema

Em 2025, continuaram subindo as emissões de CO₂ da queima de petróleo, carvão e gás, além das de óxido nitroso e de gases fluorados. As de metano ficaram estáveis. O que segurou o total foi uma redução de cerca de 0,5 GtCO₂e nas emissões líquidas do setor de uso da terra, mudança do uso da terra e florestas (LULUCF).

“Chegou a hora de os principais produtores de combustíveis fósseis, como os Estados Unidos e a Arábia Saudita, pararem de fazer política e encararem a realidade científica”, afirmou Bill Hare, cofundador da Climate Analytics, em análise sobre o relatório. Um dia antes, o mesmo relatório já tinha projetado até 2,8°C de aquecimento até 2100 com as políticas atuais, além de indicar que só seis países do G20 devem cumprir suas metas para 2030, e o Brasil não está entre eles.

O tamanho do corte necessário

No cenário em que o aquecimento passa menos de 1,5°C, as emissões globais teriam de cair 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, sempre em relação a 2025. Segundo o documento, isso exige abandonar os combustíveis fósseis sem mitigação, ampliar a energia eólica e solar, eletrificar os usos finais de energia e fazer cortes profundos no metano.

“Ultrapassar o limite não significa desistir”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres. Para ele, ainda é possível manter esse excedente “o menor e o mais breve possível” e trazer as temperaturas de volta para baixo de 1,5°C até o fim do século. Inger Andersen, diretora executiva do Pnuma, cobrou que as nações adotem com urgência políticas de redução rápida e sustentada.

Responsabilidade desigual

A média mundial é de 6,6 tCO₂e por pessoa, e Estados Unidos, Rússia, China e União Europeia ficam acima dela. Nos países menos desenvolvidos, a média é de 1,5 tCO₂e. No acumulado histórico, os EUA são os maiores emissores do planeta, seguidos por China e União Europeia, enquanto os países mais pobres somam só 0,5% do total.

Na contramão do cenário global, o Brasil reduziu em 9% suas emissões líquidas em 2025 e chegou ao menor nível desde 2012, puxado pela queda do desmatamento, segundo o Seeg.