A Polícia Federal encontrou no celular do advogado Willer Tomaz indícios de que ele pagou uma empresa para tirar da internet reportagens que o ligavam ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência.
As provas estão em um relatório do inquérito do STF que investiga os dois por suspeita de lavagem de dinheiro. O relator é o ministro Alexandre de Moraes. O caso foi revelado pelo jornal O Globo e confirmado pela TV Globo.
R$ 1 mil por link apagado
Segundo a PF, as mensagens foram enviadas em outubro de 2025 de um número registrado em nome da empresa “Seu Nome Novo de Novo”. No próprio site, a empresa diz que remove e desindexa notícias, processos, imagens, vídeos e links que prejudicam o nome dos clientes na internet.
Uma planilha encontrada no material reúne 12 links de reportagens sobre o advogado e indica que todos foram removidos. Algumas dessas reportagens citavam a proximidade com Flávio. Uma delas tratava da disputa por uma mansão milionária e descrevia Willer como amigo do filho de Bolsonaro. Outra falava do senador, de cassinos e de operadoras em Las Vegas. Nenhuma das duas está mais disponível.
A empresa cobrou R$ 1 mil por link, o que daria R$ 12 mil no total. O valor caiu para R$ 9 mil porque Willer já tinha pago R$ 3 mil para remover um link que voltou a aparecer. Para os investigadores, o advogado contratou e pagou um terceiro para apagar esses conteúdos ou retirá-los das buscas do Google.
O que diz a defesa
Em nota, a defesa de Willer disse que a contratação tratava de “conteúdos antigos e desatualizados”. Também afirmou que ele “jamais buscou desvincular sua imagem da de Flávio Bolsonaro, de quem é amigo”. Para os advogados, o fato de o relatório da PF tratar do assunto, que não tem relação com o objeto da investigação, “só confirma que se trata de uma pescaria probatória com fins eleitorais”.
Das apostas ao Supremo
A investigação começou na Justiça Federal do Rio Grande do Sul. Lá eram apurados lavagem de dinheiro, evasão de divisas e o uso de casas de apostas no suposto esquema. Willer já era alvo da PF desde que veio à tona que ele movimentou R$ 6,6 bilhões em apostas na Blaze em 18 meses.
Com a quebra do sigilo telemático do advogado, a PF gaúcha encontrou e-mails que apontavam Flávio como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa de Tomaz. Como o senador tem foro especial, o caso subiu ao STF em 8 de outubro. A PGR se manifestou a favor da investigação, e o inquérito foi aberto com Moraes como relator.
Na segunda-feira (19), a PF também fez buscas contra o ex-secretário de TI do STJ, suspeito de repassar a Willer dados sigilosos de processos.
Este é o segundo inquérito no Supremo em que Flávio aparece entre os investigados. O primeiro foi aberto em julho, tem como relator o ministro André Mendonça e apura o financiamento do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio e Willer dizem que são amigos, mas negam ter negócios juntos.