A revista The Economist avaliou que o escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro preso Daniel Vorcaro pode comprometer sua candidatura à Presidência da República nas eleições de outubro.
Em reportagem publicada na quinta-feira (14/5), o semanário britânico detalhou que Flávio teria solicitado R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar um longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro — e que R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos.
A produtora Go Up Entertainment e o deputado Mario Frias (PL-SP), roteirista da obra batizada de Dark Horse, negaram ter tido acesso aos recursos do banqueiro. Vorcaro está preso e sua defesa não prestou esclarecimentos sobre as doações. A Go Up afirmou que não pode revelar a origem do orçamento sem violar contratos de confidencialidade com os envolvidos no projeto.
O escândalo veio à tona quando o The Intercept Brasil revelou áudios em que Flávio pressiona Vorcaro por parcelas atrasadas — e as negociações chegaram a R$ 61 milhões em aportes do banqueiro preso. Leia mais sobre os áudios que expuseram a negociação entre Flávio e Vorcaro.
A reversão de versão do senador foi relâmpago: na tarde de quarta-feira (13/5), Flávio chamou tudo de “mentira” na saída do STF. Horas depois, com o áudio publicado, admitiu o pedido — enquadrando-o como “patrocínio privado, sem recursos públicos”. Entenda como Flávio mudou o discurso após a divulgação do áudio.
Reação do mercado e dos aliados
A publicação britânica apontou que o real e o principal índice da bolsa de valores brasileira recuaram 2% à medida que crescia a perspectiva de vitória para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o semanário, a ligação do senador com Vorcaro “caiu como uma bomba” na opinião pública — a ponto de aliados de Flávio começarem a cogitar nomes alternativos para disputar o Planalto em outubro.
Há também expectativa, dentro do campo bolsonarista, de que as investigações apontem conexões entre rivais do PT e o banqueiro preso. No dia seguinte à revelação, o senador concedeu entrevista à GloboNews e negou que o valor solicitado tenha sido de R$ 134 milhões. Mario Frias também voltou a se pronunciar sobre o caso.
Lula, Trump e o cenário eleitoral
A reportagem da The Economist também analisou os movimentos recentes de Lula, principal adversário de Flávio nas eleições de outubro. O semanário destacou o encontro do presidente brasileiro com Donald Trump na semana passada, no qual Lula elogiou a “química” entre os dois e descreveu a relação como “amor à primeira vista”.
Segundo a publicação, Trump teria dito a Lula “eu te amo” em um telefonema antes da reunião presencial — declaração que, conforme o semanário, “incomoda a família Bolsonaro, que se gaba de ser amiga de Trump”.
Desgaste nas redes sociais
O impacto eleitoral do escândalo ainda é incerto: nenhuma pesquisa de intenção de voto foi divulgada desde a revelação. Mas o monitoramento digital já aponta desgaste acelerado para o senador.
Segundo a AP Exata Inteligência, empresa de ciência de dados que monitora narrativas no X e no Instagram, houve aumento expressivo das menções negativas a Flávio e queda nos índices de confiança digital após os áudios virem a público. O resultado é o pior registrado pelo senador desde o início de sua pré-campanha — e o mais negativo entre todos os presidenciáveis monitorados pela empresa.
The Economist não foi o único veículo global a cobrir o caso: um dia antes da publicação britânica, La Nación e Washington Post já enquadravam o episódio como ameaça simultânea à candidatura de Flávio e à estabilidade do mercado financeiro brasileiro. Veja como a imprensa internacional está acompanhando o escândalo de Flávio com Vorcaro.
