A divulgação de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro cobra R$ 134 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro disparou uma corrida de parlamentares a órgãos de investigação e ao Judiciário.
PT, PSOL e aliados da família Bolsonaro protocolaram representações na Polícia Federal, no STF, na PGR e em outros órgãos de controle — cada lado com objetivos opostos, mas movidos pela mesma lógica eleitoral.
Quem protocolou o quê
O PT apresentou notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na Polícia Federal pedindo abertura de investigação contra Flávio Bolsonaro e sua prisão preventiva. O PSOL protocolou representação na PF e na PGR solicitando os registros telefônicos e telemáticos das comunicações entre o senador, Vorcaro e outros envolvidos com o Banco Master.
O deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) foi além: distribuiu ações no STF, na Controladoria-Geral da União (CGU), no Tribunal de Contas da União (TCU) e na PGR para investigar a destinação de emendas parlamentares, repasses milionários e conexões entre entidades ligadas a parlamentares da direita e a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou pedido à PF de investigação específica sobre a relação entre Vorcaro e a família Bolsonaro. No campo oposto, o deputado Hélio Lopes protocolou pedidos no STF e no TSE para rastrear a origem dos chamados “recentes vazamentos” de informações sobre as investigações e identificar eventuais responsáveis.
A corrida às petições teve início horas depois que o Intercept Brasil revelou as mensagens em que Flávio Bolsonaro pressionava o banqueiro pelos repasses para o filme — reportagem que o próprio senador inicialmente chamou de mentira.
A praxe que alavanca protagonismo
Deputados e senadores protocolam petições, ações e pedidos de apuração sempre que episódios de grande repercussão chegam a público — especialmente quando conduzidos por Polícia Federal e PGR. O objetivo declarado é cobrar investigação; o não declarado, aparecer associado à resolução do escândalo em ano eleitoral.
A avalanche de representações ganhou força extra quando Flávio, que havia negado qualquer envolvimento pela manhã, admitiu à noite ter solicitado os recursos — revertendo sua própria versão em menos de 24 horas.
Vale notar que PF e PGR têm autonomia para abrir investigações a partir dos fatos apurados, sem depender de representações de partidos ou parlamentares. As ações protocoladas, portanto, têm mais peso simbólico e midiático do que jurídico.
Em paralelo às representações individuais, o escândalo reanimou a disputa pela CPMI do Banco Master — ainda bloqueada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre. Com o caso em evidência e 2026 sendo ano eleitoral, a pressão sobre Alcolumbre tende a crescer nas próximas semanas.
