Ao menos 38 políticos eleitos no primeiro turno das Eleições de 2026 já foram autuados pelo Ibama, segundo levantamento do Greenpeace Brasil. Juntos, eles somam 78 multas ambientais.
Entre as infrações estão registros ligados ao desmatamento e às queimadas ilegais. A organização cruzou dados públicos do TSE, do Ibama e do Banco Central.
Onde estão os eleitos autuados
A maior fatia está nos legislativos estaduais. São 20 deputados estaduais, o que corresponde a 52,6% dos eleitos com autuação, e eles reúnem 50 infrações registradas.
No Congresso Nacional, 10 nomes eleitos para a Câmara dos Deputados acumulam 16 infrações. No Senado, contando os suplentes, são 6 eleitos e 10 infrações. Nos Executivos estaduais, o levantamento identificou um governador e dois vice-governadores.
Partidos e estados
O Partido Liberal (PL) lidera a lista, com 9 eleitos autuados. Em seguida vêm MDB e PSD, com 6 cada, e Podemos, com 4.
Por estado, Roraima e Tocantins aparecem no topo, com 5 eleitos cada. O Pará vem depois, com 4, entre eles o governador e o vice-governador eleitos. Mato Grosso do Sul fecha o grupo com 3 nomes.
Antes da votação, um cruzamento da Ascema Nacional já havia apontado 101 candidatos com cerca de R$ 120 milhões em multas ambientais pendentes, também com o PL à frente entre os partidos.
Alerta para a agenda ambiental
Para o Greenpeace Brasil, o retrato das urnas acende um alerta sobre o futuro da fiscalização. “Se aliarmos o resultado de nossa pesquisa a análises recentes sobre a composição do Congresso e a agenda ambiental, veremos que as políticas socioambientais e os mecanismos de controle e fiscalização que permitem a redução do desmatamento, combatem o garimpo ilegal e protegem os territórios indígenas estão em sério risco”, afirmou Gabriela Nepomuceno, especialista em Políticas Públicas da organização.
A avaliação dialoga com o cenário já desenhado pelas urnas, em que o PL se tornou a maior bancada da Câmara e 68,9% dos parlamentares eleitos têm baixa convergência com a agenda ambiental.
Metodologia
A análise considerou as multas aplicadas pelo Ibama entre 22 de julho de 2008 e 31 de agosto de 2026. O recorte vale apenas para os eleitos no primeiro turno e não inclui as disputas que seguem para o segundo turno.