Política

Eleições 2026 batem recorde da redemocratização com 20 governadores eleitos no 1º turno

Número supera em cinco o de 2022 e ainda pode chegar a 21, dependendo do recurso de Anthony Garotinho no Rio
Mapa do Brasil simbolizando os governadores eleitos no 1º turno nas eleições de 2026

As eleições de 2026 definiram no domingo (4) os vencedores em 20 dos 27 governos estaduais, o maior número de disputas resolvidas em uma única votação desde a redemocratização, superando o recorde anterior de 18 Estados, registrado em 2010.

São cinco a mais que em 2022. E o total ainda pode subir para 21: no Rio de Janeiro, o desfecho depende do julgamento de um recurso de Anthony Garotinho (Republicanos), que teve o registro de candidatura indeferido.

Vitórias por margens largas

Em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Rondônia, Roraima e Santa Catarina, os primeiros colocados fecharam a apuração com mais de 30 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo lugar. São oito Estados em que a disputa pelo Executivo praticamente não existiu.

A votação deste domingo integrou o pleito que reuniu mais de 158 milhões de eleitores aptos, o maior colégio eleitoral já registrado no país.

Um levantamento do g1 mostra ainda o alinhamento político dos governadores eleitos: dos 20 vitoriosos no 1º turno, 11 apoiaram o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) na disputa nacional, enquanto 5 apoiaram Lula (PT). Outros três venceram sem apoio formal declarado, e um apoiou Ronaldo Caiado (PSD).

O impasse no Rio de Janeiro

Garotinho recorreu do indeferimento de sua candidatura. Se os votos dados a ele permanecerem nulos, Douglas Ruas (PL) é eleito governador fluminense já no 1º turno. É esse cálculo que mantém o placar nacional oscilando entre 20 e 21 governos definidos. Caso o TSE valide os votos de Garotinho, o Rio também vai a 2º turno, com Douglas Ruas enfrentando Eduardo Paes (PSD).

Quem decide em 25 de outubro

Enquanto o caso do Rio não é resolvido, seis Estados e o Distrito Federal têm 2º turno marcado para 25 de outubro. No Acre, Mailza Assis (PP) enfrentará Alan Rick (Republicanos); no Amazonas, Omar Aziz (PSD) disputará com a Professora Maria do Carmo (PL); no Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) encarará Ricardo Ferraço (MDB); no Rio Grande do Norte, Allyson (União Brasil) enfrentará Cadu de Lula (PT); e no Tocantins, a Professora Dorinha (União Brasil) disputará com Vicentinho Jr (PSDB). Na capital federal, Celina Leão (PP) enfrentará Leandro Grass (PT).

Senadores, ex-ministros e vices promovidos

O grupo de eleitos mistura perfis bastante distintos. Dois senadores eleitos em 2022 trocaram o Legislativo federal pelo comando de Estados: Sergio Moro (PL), ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça, no Paraná, e Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais. No Paraná, Moro venceu com 50,10% dos votos válidos, contra 25,37% de Sandro Alex (PSD), candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior, impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo; Requião Filho, apoiado por Lula, ficou atrás dos dois. Em março de 2026, Moro havia deixado o União Brasil para se filiar ao PL, selando a aproximação com o grupo de Flávio Bolsonaro, candidato que apoiou na disputa presidencial. Depois do resultado, o senador agradeceu nas redes sociais: “A vitória pertence ao mais tenaz. Obrigado, Paraná”. É a primeira vez que Moro assume o comando de um Executivo — ele deixa o Senado na metade do mandato iniciado em 2023. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) renovou o mandato conquistado em 2022.

Um levantamento do Poder360 mostra que o PL foi a legenda que mais elegeu governadores já no 1º turno, com cinco nomes: Sergio Moro, no Paraná; Jorginho Mello, em Santa Catarina; Marcos Rogério, em Rondônia; Zucco, no Rio Grande do Sul; e Arthur Henrique, em Roraima. PSD, PT, Republicanos e PP foram os únicos outros partidos a eleger mais de um governador nesta etapa.

O PT garantiu três governos sem precisar de 2º turno: Jerônimo Rodrigues na Bahia, Elmano de Freitas no Ceará e Rafael Fonteles no Piauí, todos eleitos originalmente em 2022.

Outro bloco já ocupava o cargo antes das urnas. Daniel Vilela (MDB), em Goiás, Otaviano Pivetta (Republicanos), em Mato Grosso, e Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba, assumiram o governo neste ano como vice-governadores e agora foram eleitos. Também houve migração de prefeituras de capitais: JHC (PSDB) deixou Maceió, Eduardo Braide (PSD) saiu de São Luís e Arthur Henrique (PL) renunciou a Boa Vista antes de vencer a eleição suplementar de Roraima, em junho.

Um ano antes da votação, pesquisa Quaest já mostrava divisão sobre a continuidade de governadores em oito Estados, com maioria favorável à permanência de Tarcísio em São Paulo e rejeição dividida a Jerônimo na Bahia. Os dois cenários se confirmaram neste domingo.