Política

Itamaraty acusa Milei de ingerência nas eleições após post sobre ‘roubar’ a votação

Nota defende a segurança da urna eletrônica e chama de antidemocrática a postura do argentino, apoiador de Flávio Bolsonaro
Itamaraty Milei ingerência eleições: Milei e a fachada do Palácio do Itamaraty em tensão diplomática

O Ministério das Relações Exteriores classificou nesta terça-feira (20) como “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro” as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, contra as eleições no Brasil.

A reação veio depois que Milei comentou nas redes sociais um trecho de entrevista de Lula e disse esperar que “a última artimanha suja da campanha” do petista “não envolva roubar a eleição”. O episódio ocorre a poucos dias do segundo turno.

O que diz a nota do Itamaraty

Para a chancelaria, a postura de Milei é antidemocrática e não condiz com o comportamento esperado do líder de um país vizinho e amigo.

O texto também defende as urnas eletrônicas. Segundo o ministério, o sistema de votação brasileiro é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e teve a lisura atestada por observadores internacionais de várias partes do mundo já no primeiro turno.

Apoio declarado a Flávio Bolsonaro

Alinhado à direita, Milei apoia Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Palácio do Planalto. As novas críticas, feitas na reta final da disputa, somam-se a uma série de atritos diplomáticos entre Brasil e Argentina.

A escalada começou em julho, quando Milei atacou Lula na convenção do PL e passou a republicar no X posts com críticas ao presidente brasileiro.

Relações rebaixadas e embaixador em Brasília

A crise ganhou outro patamar quando o governo brasileiro decidiu rebaixar as relações bilaterais, em resposta aos frequentes ataques verbais de Milei a Lula.

Em sinal de descontentamento, o embaixador do Brasil na Argentina foi chamado a Brasília para consultas. O Itamaraty mantém a medida até que cessem as ofensas, que considera inéditas e grosseiras.

Desde o rebaixamento, formalizado em 4 de agosto, o governo chegou a receber deputados argentinos de oposição para tentar reabrir o diálogo, sem avanço. Também não é a primeira vez que a diplomacia brasileira reage a narrativas de Buenos Aires: em agosto, já havia identificado manobras de desinformação sobre a origem da crise.

Do lado argentino, após divergências iniciais sobre a condução do caso, o chanceler Pablo Quirno disse publicamente esperar que a transformação ideológica regional chegue também ao Brasil. Desde então, não houve iniciativa de reaproximação entre os dois países.