O diesel comum ficou 6,67% mais caro nos postos do país na primeira quinzena de outubro, na comparação com a segunda metade de setembro. O litro passou a custar em média R$ 7,20, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), divulgado nesta terça-feira (20).
O aumento acompanha a disparada do petróleo, puxada pelo agravamento dos conflitos no Oriente Médio. No mesmo dia, o barril do tipo Brent, referência internacional, voltou a passar de US$ 111, o maior nível em cinco meses.
Alta de 15,2% no ano
Em janeiro, o litro do diesel comum custava R$ 6,25. Com o aumento de outubro, a alta acumulada em 2026 chega a 15,2%. O preço, porém, ainda está abaixo do pico de abril, quando a média mensal chegou a R$ 7,51.
Em março, o combustível já tinha batido R$ 7,45 nos postos, com alta de 24% nas primeiras semanas da guerra no Oriente Médio, um valor acima do atual.
O diesel S-10, usado sobretudo em veículos mais novos, subiu 5,07% e foi a R$ 7,46. Entre os combustíveis de carros de passeio, o etanol subiu 2,38%, para R$ 4,31. A gasolina ficou praticamente estável, com alta de 0,15%, a R$ 6,73.
Por que o diesel sente mais o mercado externo
O Brasil produz petróleo, mas suas refinarias não fabricam todo o diesel que o país consome, e parte precisa ser importada. Segundo a ANP, as importações foram 23,14% das vendas de diesel A em agosto.
Com essa dependência, as variações do preço internacional e dos custos de transporte chegam direto às bombas. O cenário é o oposto do de maio, quando o diesel recuou pela primeira vez desde o início do conflito, com o Brent na faixa de US$ 94.
Subsídio ampliado
Na semana passada, o governo federal aumentou de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro o subsídio ao diesel importado, com validade inicial de 30 dias. O mecanismo foi criado em maio para evitar que toda a alta chegue ao consumidor.
O Ministério da Fazenda justificou a manutenção da subvenção em outubro pela “persistente volatilidade dos preços internacionais do petróleo”.
Sul lidera os reajustes
A região Sul teve as maiores altas da quinzena: o diesel comum subiu 11,70%, para R$ 6,97, e o S-10 subiu 7,50%, para R$ 7,17. Mesmo assim, Sul e Sudeste continuam com os menores preços médios regionais do diesel comum, de R$ 6,97.
No Centro-Oeste, o diesel comum subiu 6,97%, para R$ 7,21, e o S-10 teve alta de 7,02%, para R$ 7,62, a maior média regional desse tipo. O Norte teve os combustíveis mais caros do país nas médias regionais.
O retrato nos estados
Roraima tem o diesel comum mais caro, a R$ 8,19, e Minas Gerais tem o mais barato, a R$ 6,91. O Paraná teve a maior alta (12,66%, para R$ 6,94). O Acre teve a maior queda (1,60%), mas o litro ainda custa em média R$ 8.
No S-10, o Acre tem o maior preço, R$ 8,30, e o Rio Grande do Sul, o menor, R$ 6,95. A gasolina varia de R$ 6,28, no Rio Grande do Sul, a R$ 7,64, em Roraima. O etanol vai de R$ 4,03, em São Paulo, a R$ 5,54, em Sergipe.
Mato Grosso teve a maior alta do etanol (3,96%) e Pernambuco, a da gasolina (2,46%). O Rio Grande do Norte teve as maiores quedas nos dois combustíveis: 5,07% no etanol e 3,02% na gasolina.