A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda elevou nesta quarta-feira (15) a projeção de inflação para 2026 de 4,5% para 5,1%, patamar que estoura o teto da meta contínua de 3%, fixada entre 1,50% e 4,50%.
A revisão consta no Boletim Macrofiscal e é atribuída à persistência da alta dos alimentos e aos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado de petróleo, segundo a equipe econômica do governo.
Alimentos e petróleo puxam a revisão
Apesar da desaceleração do IPCA em junho, os alimentos seguem como o principal fator de pressão sobre a inflação acumulada no ano, aponta a Fazenda. As medidas dessazonalizadas também permanecem acima do padrão histórico, o que reforça a cautela da equipe econômica.
“Ainda é cedo para afirmar que os preços tenham se estabilizado: o cessar-fogo permanece frágil, e sua interrupção constitui risco altista não incorporado às projeções”, afirma o boletim, citando ainda o risco de aumento da demanda por petróleo para recomposição de estoques e os danos à infraestrutura no Oriente Médio.
A pasta também cita o espaço remanescente para repasse dos preços do atacado ao consumidor e a maior probabilidade de um El Niño mais intenso, fenômeno que deve afetar principalmente a safra de 2027, mas já pode pressionar os alimentos ainda em 2026. A mudança na projeção já vinha sendo sinalizada: no início de julho, a secretária da SPE, Débora Freire, adiantou que a Fazenda levaria a estimativa para acima do teto de 4,5%, citando o El Niño como principal motor da revisão.
PIB mantido em 2,3% apesar da desaceleração
Mesmo com o cenário inflacionário mais pressionado, o Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a projeção de crescimento do PIB para 2026, repetindo o ritmo registrado em 2025. Segundo a SPE, os indicadores coincidentes seguiram majoritariamente positivos no início do segundo trimestre, sem sinalizar perda de tração generalizada.
O IBC-Br avançou 1,2% no trimestre encerrado em abril, em ritmo próximo ao do trimestre anterior, puxado pela indústria, que acelerou na leitura trimestral até maio, mesmo com recuo mensal naquele mês após quatro altas seguidas.
O estouro da meta já era esperado pelo mercado. O Boletim Focus recuou para 5,16% na semana anterior, interrompendo 14 semanas seguidas de revisões para cima, número próximo ao anunciado agora pela Fazenda. O Banco Central também já havia projetado a inflação acima da meta até dezembro, o que obriga a autoridade monetária a enviar carta explicativa ao ministro Dario Durigan pelo descumprimento por seis meses seguidos.
