Nove em cada dez brasileiros acreditam que o conflito entre EUA, Israel e Irã vai bater no bolso. Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta segunda-feira (20) aponta que 90% esperam impactos econômicos — e 65% avaliam que o efeito será “muito” intenso.
O levantamento ouviu 2 mil pessoas em 130 municípios brasileiros entre 8 e 12 de abril, com margem de erro de dois pontos percentuais.
A preocupação se concentra especialmente nos preços. Para 92% dos entrevistados, a guerra vai encarecer os combustíveis — e o receio não é abstrato: o diesel já acumula alta de 24% no país desde o início do conflito, com falhas de abastecimento registradas de norte a sul do país.
Os alimentos preocupam 91%, o gás de cozinha 89%, e a inflação outros 89%. O temor ecoa nas projeções do mercado financeiro: nesta mesma segunda-feira, o boletim Focus revisou a estimativa de inflação para 4,80% em 2026, pressionada pelo mesmo conflito que assombra a maioria dos brasileiros ouvidos pela pesquisa.
Na cadeia alimentar, o impacto já aparece no frete rodoviário: os preços do transporte subiram até 50% em algumas regiões, repassando ao consumidor final o custo do diesel encarecido pela guerra.
Além da economia, 76% dos brasileiros acreditam que o conflito afetará as relações diplomáticas do país com outras nações.
O levantamento revela uma postura clara da população sobre o papel do Brasil no conflito: 83% defendem neutralidade, sem alinhamento a nenhum dos lados. Apenas 10% apoiam explicitamente o bloco formado por EUA e Israel; 2% se identificam com a posição iraniana.
Essa percepção vem acompanhada de uma visão crítica sobre o início das hostilidades. Segundo a Ipsos-Ipec, 64% dos entrevistados consideram o ataque conjunto de EUA e Israel em 28 de fevereiro — que resultou na morte do líder supremo iraniano — como “totalmente desnecessário” ou “desnecessário”.
No campo da segurança, 67% enxergam o conflito como risco à segurança nacional do Brasil. O temor se estende ao plano humanitário: 75% estão preocupados com a proteção de suas próprias famílias e 70% com brasileiros que vivem no Oriente Médio. A preocupação com civis da região também é ampla — 57% com israelenses e 55% com iranianos.
“A percepção de impacto econômico demonstra que a população está receosa com os reflexos no bolso e atenta às consequências globais do conflito”, avaliou Márcia Cavallari, diretora-geral da Ipsos-Ipec. Para ela, os dados indicam que os brasileiros esperam do governo uma política externa neutra, sem alinhamento a nenhum dos blocos em disputa.