O litro do diesel recuou 0,2% e chegou a R$ 7,43 nos postos brasileiros, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). É a primeira baixa registrada desde o início dos bombardeios contra o Irã, em 28 de fevereiro.
A gasolina também cedeu — ainda que por apenas R$ 0,01 —, ficando em R$ 6,77. O etanol seguiu o movimento e recuou para R$ 4,69.
O alívio vem na esteira da desaceleração do petróleo Brent, que fechou a US$ 94,33 por barril na última sexta-feira (11), após ter disparado mais de 60% desde o início do conflito.
Da disparada de 60% ao primeiro recuo nas bombas
Desde que os bombardeios dos Estados Unidos e Israel contra o Irã começaram, na madrugada de 28 de fevereiro, o preço do barril do Brent chegou a disparar mais de 60%, atingindo o pico de US$ 118,32. A incerteza sobre a duração e a intensidade do conflito foi o principal motor da escalada registrada em toda a cadeia de combustíveis no Brasil.
Na semana anterior, o diesel havia atingido R$ 7,45 — pico de 24% acumulado desde o início do conflito —, tornando o recuo desta semana o primeiro registrado pela ANP desde que a guerra começou.
A alta, no entanto, não foi linear. Na primeira semana de março, o diesel subiu R$ 0,05 para R$ 6,08. No dia 14 do mesmo mês, o valor já estava em R$ 6,80. Em apenas duas semanas de conflito, o combustível havia acumulado 19% de alta e chegado a R$ 7,26 — mesmo depois de o governo anunciar isenção de PIS/Cofins e subsídios de R$ 30 bilhões para tentar conter a disparada.
Na última sexta-feira (11), o Brent fechou cotado a US$ 94,33, com queda de 1,66% em relação ao dia anterior. O arrefecimento no mercado internacional é o fator direto por trás do primeiro alívio observado nos preços domésticos.
Governo age, mas consumidor ainda aguarda nas bombas
Diante da escalada, o governo federal anunciou uma série de medidas para frear o avanço dos preços, entre elas subsídios e isenção de impostos federais. O pacote, porém, ainda não se traduziu em redução imediata e perceptível para o motorista.
Rodrigo Zingales, diretor da Associação Brasileira de Revendedores de Combustíveis Independentes e Livres (Abrilivre), avalia que ainda é cedo para sentir os efeitos das medidas do governo nas bombas. A declaração reforça a percepção de que a queda desta semana reflete mais a dinâmica do mercado internacional do que as intervenções domésticas.
Em paralelo, a ANP e a Polícia Federal intensificaram operações de fiscalização sobre distribuidoras e postos de combustíveis, com foco no combate a preços abusivos — prática identificada também na venda do gás de cozinha. Para facilitar o monitoramento, a agência reguladora criou um novo canal de denúncias voltado ao consumidor que identificar cobranças irregulares na rede de postos.
