O Ministério da Fazenda revisou nesta segunda-feira (18) sua projeção para a inflação oficial de 2026: de 3,7% para 4,5% — exatamente no limite da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
A causa é direta: a guerra no Oriente Médio disparou o preço do petróleo, que opera acima de US$ 110 o barril, com capacidade de pressionar os combustíveis e, em cadeia, os preços ao consumidor no Brasil.
Petróleo acima de US$ 110 pressiona a inflação brasileira
A revisão consta no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. O documento formaliza o impacto do choque externo: o barril de petróleo operando acima de US$ 110 nesta segunda-feira é o principal vetor da correção, com reflexo esperado nos preços dos combustíveis e no índice de preços ao consumidor.
A projeção anterior de 3,7% já era considerada desafiadora para um ano marcado por instabilidade geopolítica. Chegar a 4,5% significa operar no teto do intervalo de tolerância da meta de inflação — limite que, se ultrapassado, exige explicação formal do Banco Central.
O Banco Mundial havia alertado em abril que os preços de energia devem subir 24% em 2026 por causa do conflito no Oriente Médio — cenário que agora se materializa com o barril acima de US$ 110 e pressionando diretamente a inflação brasileira. Veja a projeção completa do Banco Mundial.
Quanto ao crescimento, a Fazenda optou pela estabilidade: manteve em 2,3% a projeção para o PIB de 2026, mesma taxa registrada no ano anterior.
A revisão governamental não veio isolada. No mesmo dia, o mercado financeiro registrava sua décima alta consecutiva de projeção inflacionária em 2026, movido pelo mesmo vetor: o petróleo acima de US$ 110 puxado pela guerra no Oriente Médio — o setor privado já via menos espaço para cortar juros antes mesmo da atualização oficial. Leia a análise do mercado.
A convergência entre estimativas oficial e privada reforça que o choque externo de energia tem peso crescente sobre os preços brasileiros. Operar no teto da meta deixa pouca margem para absorver novos vetores de pressão sem que o Banco Central precise reagir.
Crescimento e inflação seguem, por ora, em trajetórias separadas. A manutenção da projeção do PIB em 2,3% — mesma taxa de 2025 — indica que a Fazenda não enxerga risco de deterioração no lado real da economia, mesmo com o choque inflacionário em curso.
