O dólar voltou a superar a marca de R$ 5 nesta quinta-feira (14), pressionado por dois vetores simultâneos: a revelação de áudios ligando o senador Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro e o encontro diplomático entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim.
Na véspera, o mercado já havia reagido com força ao escândalo: o Ibovespa recuou 1,8% e o dólar disparou mais de 2%, devolvendo ganhos acumulados nas últimas semanas.
A Polícia Federal agravou o cenário ao prender Henrique Vorcaro, pai de Daniel, em nova fase da Operação Compliance Zero, com sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão.
Crise política pesa no câmbio
Para o mercado financeiro, Flávio Bolsonaro era visto como candidato com potencial de promover ajustes na política econômica. Com a revelação dos áudios que o ligam ao banqueiro Daniel Vorcaro, a percepção mudou: investidores passaram a avaliar que o episódio pode reduzir as chances de alternância de poder, diminuindo as expectativas de mudanças fiscais no país.
A pesquisa Quaest divulgada nesta quinta reforçou o clima de incerteza. Em cenário de segundo turno, Lula (PT) aparece com 42% das intenções de voto contra 41% de Flávio — empate técnico pelo terceiro mês consecutivo. “As movimentações acontecem todas na margem de erro, sugerindo um cenário bastante competitivo até aqui”, afirmou o diretor da Quaest, Felipe Nunes.
Na véspera, Lula também anunciou o fim da taxa das blusinhas — o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 cobrado pelo programa Remessa Conforme. Foi nessa mesma sessão que o mercado já abria atento ao encontro Trump-Xi, enquanto o governo zerava os tributos federais sobre essas compras internacionais. A mudança foi lida como um gesto eleitoreiro e representa perda de arrecadação para o governo federal.
Trump e Xi trocam elogios em Pequim
No exterior, o encontro bilateral entre Donald Trump e Xi Jinping — o primeiro desde 2017 — dominou o noticiário global. Em um banquete em Pequim, Trump chamou Xi de “amigo” e o convidou para uma visita oficial aos Estados Unidos em 24 de setembro, sinalizando uma reaproximação entre as duas maiores economias do mundo.
O principal objetivo declarado da visita é pressionar a abertura do mercado chinês para empresas americanas. Os mercados asiáticos já haviam antecipado o otimismo: o índice Shanghai Composite subiu 0,7% na quarta-feira, atingindo a máxima em 11 anos — nível mais alto desde julho de 2015. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,2%, e o japonês Nikkei registrou ganhos de 0,8%.
Irã, Wall Street e a operação da PF
No campo geopolítico, as chances de um cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos recuaram após Trump afirmar que a trégua está “respirando por aparelhos”. O Irã rejeitou a proposta americana e exigiu o fim do conflito, compensações pelos danos e o encerramento do bloqueio naval dos EUA. O pessimismo de Trump contrasta com o alívio de menos de uma semana atrás, quando a aproximação entre Washington e Teerã havia derrubado o dólar e animado os mercados globais. Em resposta, os EUA anunciaram novas sanções contra empresas e pessoas acusadas de ajudar o Irã a vender petróleo para a China.
Em Wall Street, os três principais índices fecharam sem direção definida na quarta-feira (13). O Dow Jones recuou 0,14%, enquanto o S&P 500 subiu 0,5% e o Nasdaq avançou 1,20%, após dados de inflação ao produtor nos EUA virem acima do esperado — reforçando a perspectiva de que o Federal Reserve deve manter os juros elevados por mais tempo. Na Europa, DAX subiu 0,76%, CAC 40 avançou 0,35% e o FTSE 100 registrou alta de 0,58%.
Na Operação Compliance Zero, além da prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro do banco Master, as investigações apuram fraudes financeiras e a atuação de grupos suspeitos de coerção, obtenção de informações sigilosas e invasão de dispositivos eletrônicos. A operação cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão.
