Política

Abstenção bate recorde no primeiro turno e deixa 33,4 milhões fora das urnas

Com 21,08% de ausências, 2026 registra a maior taxa em eleições gerais desde 1998; quem faltou ainda pode votar no segundo turno
Fachada do TSE representa a abstenção no primeiro turno eleições 2026, com recorde de ausências nas urnas

Um em cada cinco eleitores brasileiros não apareceu para votar no primeiro turno das eleições 2026. Foram 33,4 milhões de ausentes neste domingo (4), o equivalente a 21,08% do eleitorado, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

É a maior taxa já registrada em um primeiro turno de eleição geral desde 1998, quando 21,49% dos eleitores deixaram de comparecer aos colégios eleitorais.

Patamar de eleição municipal

A ausência deste domingo ficou próxima da registrada nas municipais de 2024, pleito que historicamente concentra mais faltas do que as disputas nacionais. Há dois anos, 33,7 milhões de pessoas não votaram para prefeito e vereador — 21,68% do eleitorado.

Na comparação com a eleição geral anterior, o avanço é mais discreto, mas existe: em 2022, a abstenção foi de 20,9%, equivalente a 32,7 milhões de eleitores. De lá para cá, o país ganhou eleitores e também ausentes.

O primeiro turno de 2026 contava com 158,7 milhões de pessoas aptas a votar, patamar que o TSE já havia projetado em julho, com alta de 1,46% em relação a 2022 — é sobre essa base que a taxa foi calculada. Desses, 125,2 milhões compareceram às urnas.

Brancos e nulos na disputa presidencial

Entre quem votou, 2,3 milhões optaram pelo voto em branco para presidente, o que representa 1,84% do eleitorado. Outros 3,6 milhões anularam o voto presidencial, 2,93% do total de votos válidos.

Quem faltou ainda pode votar

Parte da ausência tem endereço conhecido: do total de aptos, pouco mais de 22 milhões tinham voto facultativo — grupo historicamente mais propenso a não aparecer na seção eleitoral.

Em números absolutos, a diferença para 2022 é de cerca de 700 mil ausentes a mais, num eleitorado que também cresceu no período. A taxa subiu menos de meio ponto percentual, variação suficiente para colocar 2026 atrás apenas de 1998 na série de primeiros turnos de eleições gerais.

Para quem ficou em casa, porém, a eleição não terminou. O eleitor que não compareceu neste domingo pode votar normalmente no segundo turno, desde que esteja com o título regularizado.