O PL chegará a 2027 com a maior bancada do Senado: 28 senadores, segundo levantamento do Poder360. São 19 eleitos no 1º turno de domingo (4), para mandatos de oito anos, somados a nove parlamentares cujos mandatos seguem até 2031.
A conta coloca o partido de Flávio Bolsonaro em outro patamar na Casa. O PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá nove senadores a partir do ano que vem.
PL abre distância de PT, MDB e PP
Depois do PL e do PT, as maiores bancadas na posse serão as do MDB, com oito senadores, e do PP, com seis. Nenhuma outra legenda se aproxima do bloco montado pelo partido que lidera a nova composição. Entre os reeleitos no domingo estão três senadores do próprio PL — Carlos Portinho (RJ), Eduardo Gomes (TO) e Marcio Bittar (AC) —, que ajudam a formar a nova bancada do partido.
A disputa pelo Senado era tratada como prioridade estratégica pelos dois principais polos do cenário político, numa Casa que decide pautas de maioria qualificada — incluindo eventuais pedidos de impeachment contra ministros do STF. O resultado de domingo consolidou essa aposta na renovação de dois terços do Senado.
Os números, porém, são projeções. Eles ainda dependem do 2º turno, marcado para 25 de outubro: se um senador eleito em 2022 vencer a disputa por um governo estadual ou pela Presidência, deixa a cadeira para o suplente, o que pode mudar o tamanho final de cada bancada. Esse cenário já se confirmou para dois nomes eleitos governadores ainda no 1º turno de domingo: Sergio Moro (PL-PR) e Cleitinho (Republicanos-MG), que deixam suas cadeiras no Senado para os suplentes. Outros três senadores com mandato até 2031 seguem na disputa pelo governo estadual no 2º turno de 25 de outubro — Alan Rick (Republicanos-AC), Omar Aziz (PSD-AM) e Professora Dorinha Seabra (União-TO) —, o que ainda pode alterar o tamanho final das bancadas.
Como as cadeiras foram distribuídas
Estavam em jogo 54 vagas no Senado, duas por estado e pelo Distrito Federal, preenchidas pelos dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação. No mesmo sistema majoritário foram disputados a Presidência da República e 27 governos estaduais, com segundo turno onde ninguém alcançou 50% mais um dos votos válidos.
Das 54 cadeiras em disputa, 40 serão ocupadas por senadores novos — uma renovação de 74% —, enquanto 14 dos 32 senadores que buscavam a reeleição conseguiram se manter no cargo, taxa de 43,7%. O índice de reeleição marcou alta em relação a 2018, quando apenas 8 dos 32 titulares que tentaram continuar na Casa foram bem-sucedidos e a renovação chegou a 85,19% das cadeiras.
Crescimento no Congresso já tinha efeito no caixa
O avanço da bancada tem reflexo financeiro. O PL já havia triplicado sua fatia do Fundo Eleitoral para 2026, puxado justamente pelo tamanho crescente de suas bancadas no Congresso.
Pelo sistema proporcional, a votação de domingo preencheu 513 vagas na Câmara dos Deputados, 1.035 nas assembleias legislativas e 24 na Câmara Legislativa do Distrito Federal. As cadeiras são divididas entre partidos e federações conforme a votação de cada legenda e depois ocupadas pelos candidatos mais votados dentro delas.
Ao todo, 158.745.463 eleitores estavam aptos a votar no 1º turno, que escolheu presidente, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. O desenho que sai dessas urnas vale por oito anos no Senado e define a margem de negociação de quem vencer em 25 de outubro.