Política

PF abre apuração sobre interferência estrangeira nas eleições a pedido da AGU

Procedimento prévio ficou com a Diretoria de Inteligência e ainda não virou inquérito; TSE afirma não ter indício concreto
Brasão da Polícia Federal e fachada do TSE remetem à apuração sobre interferência estrangeira nas eleições

A Polícia Federal abriu um procedimento prévio para apurar suspeitas de interferência e financiamento estrangeiro nas eleições brasileiras. A medida atende a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e ficou sob responsabilidade da Diretoria de Inteligência da corporação.

Ainda não existe inquérito policial formalmente instaurado. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a etapa inicial serve para avaliar as informações recebidas e definir os próximos passos.

“Já é uma investigação em andamento, mas ainda não foi instaurada a portaria do inquérito policial. Há um procedimento prévio que fazemos que é natural em todos os processos”, afirmou Rodrigues neste domingo (4), durante visita ao Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN), no dia da votação.

O pedido que motivou a análise nasceu de uma notícia-crime protocolada pela AGU dias antes, que aponta repasse de US$ 1 milhão do Departamento de Estado americano a grupos que atuam contra o Supremo Tribunal Federal no Brasil.

TSE diz não ter recebido indício

Enquanto a PF começa a examinar o material, a Justiça Eleitoral afirma não ter elementos que sustentem a hipótese. Em entrevista coletiva no início da tarde, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, descartou sinais de ingerência externa no pleito.

“Até o momento, nós não temos nenhum indicativo concreto de interferência internacional. Muito se falava, meses atrás, inclusive no ano passado, que essas interferências poderiam vir através das plataformas”, disse o ministro.

A investigação paralela sobre a embaixada

A apuração pedida pela AGU não se confunde com outro inquérito aberto pela PF depois de uma comunicação da embaixada dos Estados Unidos sobre possíveis riscos a instalações diplomáticas americanas no país. Rodrigues afirmou que os dois procedimentos são independentes, mas podem ser relacionados caso apareçam elementos de conexão.

Nesse segundo caso o inquérito já está formalizado e levou a duas operações de busca e apreensão cumpridas na sexta-feira (2), uma em São Paulo e outra na região do Distrito Federal.

Até agora, porém, nenhuma evidência concreta de ameaça a representações diplomáticas foi encontrada. “Recebemos uma comunicação da embaixada dos Estados Unidos e, como é nosso dever, atuamos para apurar se tem alguma veracidade naqueles dados que nos foram encaminhados”, declarou o diretor-geral, que acrescentou não haver “nada concreto, nenhum plano que a gente tenha identificado”.

A suspeita agora sob análise se soma a um cenário que especialistas em relações internacionais já descreviam como escalada da interferência americana no pleito brasileiro.