Política

PF investiga desvio de recursos do Fundo Partidário e do FEFC

Operação da Polícia Federal mira empresas sem estrutura para prestar serviços cobrados a partidos
Brasão da Polícia Federal com logo do Governo Federal ao fundo, representando investigação de desvio de recursos partidários

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (11) uma operação para apurar desvio de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), destinados a partidos e campanhas eleitorais em todo o país.

Segundo a corporação, o dinheiro público teria sido repassado a empresas e pessoas físicas sem estrutura para prestar os serviços cobrados, configurando possível desvio de verbas federais.

As investigações começaram após a análise de prestações de contas eleitorais e partidárias enviadas à Justiça Eleitoral, cruzada com relatórios de inteligência financeira. A apuração identificou um padrão de contratação de empresas e pessoas físicas que não teriam capacidade operacional para executar os serviços cobrados aos partidos.

O que são o Fundo Partidário e o FEFC

O Fundo Partidário reúne recursos públicos usados para manter a estrutura permanente das siglas, como sedes e pessoal. Já o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) é destinado exclusivamente a custear candidaturas durante o período eleitoral. Embora tenham finalidades distintas, ambos são bancados pelo Tesouro Nacional e fiscalizados pela Justiça Eleitoral.

Para cumprir as determinações judiciais, a PF executou mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. A Justiça Eleitoral também autorizou o bloqueio de contas bancárias e investimentos, o bloqueio de bens e o afastamento de suspeitos de cargos de direção e administração em entidades relacionadas ao caso.

Até a última atualização desta reportagem, a corporação não havia divulgado os nomes dos partidos e dos suspeitos que são alvos da operação.

Investigação busca vínculos entre empresas e partidos

Os investigadores também apuram possíveis vínculos, diretos ou indiretos, entre os beneficiários dos recursos — donos de empresas e pessoas físicas suspeitas — e integrantes dos partidos alvo da operação. O objetivo é identificar se os pagamentos serviram para encobrir repasses irregulares às próprias siglas.

O esquema segue um padrão já investigado pela PF: em julho do ano passado, a Operação Underhand revelou como recursos públicos de emendas parlamentares eram desviados por meio de empresas de fachada para financiar campanhas eleitorais — o mesmo modelo de intermediários sem capacidade real de prestar serviços que a nova operação apura agora nos fundos partidários.

Ainda não há prazo definido para a conclusão das apurações, que devem seguir com o cruzamento de dados bancários e prestações de contas de exercícios anteriores.

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