A Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão na tarde desta sexta-feira (2), em São Paulo e no entorno do Distrito Federal, para apurar um suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos Estados Unidos no Brasil.
A corporação classificou a medida como ação preventiva e afirmou, em nota, que não encontrou até agora elementos capazes de confirmar o risco de atentado nem suspeitos de ligação com organizações criminosas.
Investigação sigilosa com apoio de inteligência estrangeira
Os mandados, segundo a PF, partiram de uma apuração sigilosa conduzida no que a corporação descreveu como “cooperação permanente” com agências de inteligência de outros países. O conteúdo da ameaça e o perfil dos alvos das buscas não foram divulgados.
“As medidas pertinentes foram prontamente adotadas, não tendo sido verificados até o momento elementos que corroborassem os riscos inicialmente apontados, tampouco identificados quaisquer suspeitos de envolvimento com organizações criminosas”, diz a nota oficial.
A operação acontece horas depois de os Estados Unidos suspenderem os serviços consulares em toda a rede diplomática no Brasil — a embaixada em Brasília e os consulados em cinco outras cidades —, sob a mesma justificativa genérica de “questões de segurança”. Ao anunciar a suspensão, a representação americana não detalhou o que motivou a decisão, mas orientou, em nota, os cidadãos norte-americanos em território brasileiro a procurarem assistência emergencial diretamente com o oficial de plantão designado, caso necessário.
Pelo relato do portal Metrópoles, a embaixada orientou os funcionários por e-mail a trabalhar de casa nesta sexta, depois de ter sido alvo de uma ameaça.
Fechamento em série e alertas para estrangeiros
O episódio se encaixa em uma onda mais ampla de cautela diplomática no Brasil. Pouco depois da decisão americana, a Austrália também interrompeu o atendimento presencial em sua embaixada. Na mesma tarde, Alemanha, Canadá, Reino Unido e Irlanda emitiram alertas a seus cidadãos, citando possível risco de protestos durante as eleições brasileiras.
A sobreposição de datas é o ponto sensível: o alerta de ataque e os avisos consulares chegam na véspera da votação, quando a circulação de pessoas e a temperatura política tendem a subir. Nenhum dos governos envolvidos relacionou publicamente a ameaça investigada pela PF aos alertas eleitorais.
Do lado brasileiro, a apuração segue em curso. A PF informou que vai analisar os equipamentos de comunicação e as mídias apreendidos nas duas buscas e não descartou novas providências, sem indicar prazo para concluir o trabalho.