Um furgão que transportava actínio-225, isótopo radioativo empregado em tratamentos médicos, foi levado por criminosos na sexta-feira (2) em Guarulhos, na Grande São Paulo, e seguia desaparecido até a divulgação do caso.
A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) confirmou o roubo e orientou que ninguém toque, abra ou manipule o recipiente: enquanto permanecer lacrado, o material não oferece risco a quem estiver por perto.
De acordo com a agência, a quantidade transportada não representa perigo enquanto estiver lacrada e protegida pelo invólucro original, identificado com o símbolo internacional de radiação. O risco se concentra em um cenário específico: a abertura da embalagem, capaz de expor pessoas à radiação sem qualquer necessidade.
O que procurar e o que fazer
O veículo é um Citroën Jumpy furgão, com capacidade para 1,5 tonelada e placa GGJ3G06. Quem localizar o carro ou a carga deve acionar imediatamente as autoridades pelos telefones (21) 99304-9453 e (21) 99299-2620, do IRD/ANSN.
As outras duas recomendações são manter a área isolada e não encostar na embalagem nem no conteúdo. A ANSN afirmou estar acompanhando o caso e adotando as medidas necessárias para a recuperação segura do material.
O episódio recoloca em pauta a fragilidade do transporte rodoviário de insumos radioativos no país, que circulam em veículos comuns e estão sujeitos aos mesmos riscos de qualquer outra carga nas estradas e vias da região metropolitana de São Paulo.
O caso também reaviva a lembrança do acidente com Césio-137 em Goiânia, em 1987, quando a abertura indevida de um equipamento radioativo abandonado matou quatro pessoas e contaminou outras 249 — até hoje o pior acidente radioativo fora de usinas nucleares já registrado no Brasil.
A distância entre um recipiente fechado e um recipiente aberto é justamente o que separa um problema logístico de uma emergência sanitária. Não por acaso, o apelo da agência se dirige menos à caçada ao furgão e mais ao comportamento de quem eventualmente cruzar com a carga.