Seis países emitiram, nos últimos dias, alertas de segurança a seus cidadãos no Brasil e apontaram as eleições como motivo para recomendar cautela. Nesta sexta-feira (2), Estados Unidos e Austrália suspenderam o atendimento presencial em suas representações diplomáticas.
Nenhum dos dois governos detalhou ameaças concretas. A secretaria de segurança pública de Brasília afirmou não ter detectado qualquer risco à segurança na capital.
O que cada governo disse aos seus cidadãos
O Canadá manteve as representações abertas, mas pediu cautela e citou o calendário eleitoral. “Poderão ocorrer comícios políticos, manifestações e reforço das medidas de segurança antes, durante e depois das eleições”, diz o aviso, que recomenda evitar grandes aglomerações.
A Irlanda orientou seus cidadãos a manter “alto grau de cautela” e listou as datas dos dois turnos. O Reino Unido, em alerta publicado em 29 de setembro, afirmou que manifestações podem surgir sem aviso prévio e que a situação é capaz de mudar rapidamente.
O comunicado alemão é o mais explícito da leva: “Manifestações com motivação política, protestos espontâneos e possíveis confrontos violentos não podem ser descartados em todo o país”, com risco de bloqueios e interrupções no trânsito em curto prazo.
Os Estados Unidos foram o único país a fechar a estrutura inteira: embaixada em Brasília e consulados em todo o território. A nota não especificou quais serviços pararam, nem se vistos e passaportes continuariam sendo emitidos no período. Americanos que precisassem de assistência emergencial foram orientados a não comparecer às instalações e a acionar o oficial de plantão. A Austrália anunciou o fechamento de sua embaixada logo depois, alegando o mesmo motivo genérico de “questões de segurança”.
A ameaça que ninguém confirmou
A justificativa mais concreta apareceu de forma indireta: segundo apuração do g1, uma fonte do governo americano mencionou uma ameaça de bomba, sem esclarecer se o alvo era a própria embaixada ou outro ponto de Brasília. A mesma fonte afirmou que os funcionários passariam a sexta-feira trabalhando de casa.
No mesmo dia, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal, dentro da apuração sobre a possível ameaça que motivou a decisão americana.
Um precedente que não se repetiu
Em 2022, os EUA também emitiram alerta por causa do período eleitoral e pediram cuidado em locais de manifestação — mas a embaixada seguiu aberta. A diferença de postura é o que distingue o episódio desta sexta de uma recomendação de rotina.
A tensão diplomática em torno do pleito, de todo modo, não é nova: em julho, o Itamaraty negou vistos a dois diplomatas americanos suspeitos de tentar questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.