A Polícia Federal marcou para a próxima semana, segundo apuração da Gazeta do Povo, o depoimento de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e de seu antecessor, Roberto Campos Neto, no inquérito sobre supostas fraudes no Banco Master.
Os dois serão ouvidos como testemunhas, assim como o presidente do Conselho de Administração do BTG Pactual, André Esteves, e o atual diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino. Esteves depõe na segunda-feira (5), Galípolo na terça (6) e Campos Neto na quarta (7).
O que levou os quatro nomes à mesa da PF
Todos aparecem no depoimento de Paulo Sérgio Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central investigado sob suspeita de receber propina do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para favorecer o Master — acusação que ele nega. Souza foi afastado do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal.
Em seu interrogatório, Souza afirmou ter tratado com Galípolo e com Aquino de supostas irregularidades atribuídas ao Master antes da liquidação do banco. Ele também relatou que, no fim de 2024, o BTG Pactual comunicou a descoberta de uma fraude bilionária na instituição de Vorcaro em uma reunião que contou com a presença de Campos Neto.
A investigação apura se ex-servidores do BC prestavam uma espécie de consultoria informal a Vorcaro em troca de vantagens financeiras. A convocação dos quatro ocorre pouco mais de um mês depois de a PF colher o depoimento do próprio Daniel Vorcaro sobre a suspeita de propina a ex-supervisores do Banco Central. Em 28 de agosto, o ex-banqueiro negou que Souza tenha favorecido o Master, mas admitiu ter feito um “agrado” ao ex-servidor: apoio a uma viagem da família dele à Disney, nos Estados Unidos.
Inquérito na reta final
A sequência de oitivas sugere que a apuração está perto do fim. A PF costuma ouvir investigados e pessoas mencionadas nos autos antes de definir eventuais indiciamentos.
Mais uma prestação de contas para Galípolo
Não é a primeira vez que o presidente do BC precisa explicar a atuação da autarquia no caso: em maio, ele já havia ido ao Senado responder pela liquidação do Master e por uma reunião fora da agenda com Vorcaro. Para Campos Neto, a situação é diferente: desta vez não há como se ausentar, já que em abril ele havia sido chamado a explicar o caso na CPI do Crime Organizado e ignorou a convocação três vezes seguidas.
A frente interna do Banco Central
Em paralelo ao inquérito, Souza e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), responderam a uma sindicância aberta por determinação de Galípolo no fim do ano passado. O material reunido na investigação interna foi encaminhado à Polícia Federal.
Souza autorizou a compra do Banco Máxima por Vorcaro, instituição que depois passou a se chamar Banco Master, e, como chefe-adjunto do Desup, passou a acompanhar temas de solidez e estabilidade do sistema financeiro. Belline chegou a ser cogitado para a Diretoria de Fiscalização, hoje comandada por Aquino, e assinou ofícios e despachos do BC enviados ao Ministério Público Federal sobre o Master.